A Venezuela continua a ter um peso muito reduzido no comércio externo de Portugal, ocupando uma posição marginal nas exportações nacionais. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Portugal exportou para o mercado venezuelano bens no valor de 10,4 milhões de euros em 2024 e, nos primeiros dez meses de 2025, as exportações ascenderam a 8,9 milhões de euros, o que representou um aumento homólogo de 4,8% até outubro.
Entre janeiro e outubro de 2025, os principais grupos de produtos exportados para a Venezuela foram máquinas, aparelhos e material elétrico (18,9%), produtos das indústrias alimentares e bebidas (14,9%), metais comuns (11,6%), gorduras e óleos animais (10%), mercadorias e produtos diversos (7,6%) e pérolas, pedras preciosas, bijutaria e semelhantes (6,6%).
Apesar da ligeira variação positiva, as relações comerciais entre Portugal e a Venezuela permanecem residuais, muito abaixo dos níveis registados entre 2012 e 2014, período em que as exportações portuguesas atingiram valores significativamente mais elevados. Em 2012, Portugal exportou para a Venezuela 313,3 milhões de euros, seguindo-se 190,1 milhões em 2013 e 207,0 milhões em 2014.
Em 2024, a Venezuela foi o 112.º cliente de Portugal, representando apenas 0,01% do total das exportações nacionais. Até outubro de 2025, manteve praticamente a mesma posição, surgindo como o 111.º cliente, com um peso idêntico nas exportações portuguesas.
Como fornecedor, a Venezuela ocupou o 99.º lugar em 2024 e o 107.º até outubro de 2025, representando igualmente 0,01% das importações portuguesas de bens. Em 2024, Portugal importou da Venezuela bens no valor de 10,2 milhões de euros, um montante muito próximo do valor exportado para aquele país.

As trocas comerciais entre os dois países têm vindo a diminuir de forma consistente. O valor exportado por Portugal para a Venezuela em 2024 foi o sétimo mais baixo desde 2005, sendo apenas superado pelos resultados registados entre 2017 e 2022.
Segundo dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), com base em informação do INE, apenas 165 empresas portuguesas exportaram bens para a Venezuela em 2024. Destas, 143 realizaram exportações superiores a um milhão de euros anuais, enquanto 22 venderam valores inferiores a esse patamar.
O contributo da Venezuela para o crescimento do comércio internacional português foi negativo em 2024 e nulo entre janeiro e outubro de 2025, de acordo com cálculos da AICEP.
Dados do UN Comtrade indicam que, em 2024, a Venezuela importou bens no valor de 7.958 milhões de dólares e exportou cerca de 12.000 milhões de dólares. Os Estados Unidos, o Brasil, a Argentina, a Turquia e Espanha concentram perto de 80% das exportações para o mercado venezuelano.
A AICEP sublinha ainda que a fraca capacidade produtiva interna e os constrangimentos ao comércio internacional, resultantes das sanções impostas pelos Estados Unidos, continuam a agravar os problemas estruturais da Venezuela, nomeadamente a elevada inflação, o desemprego e o elevado rácio da dívida pública.
