Assinala-se hoje, 27 de janeiro, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, uma data instituída pela ONU com o objetivo de não esquecer o genocídio de seis milhões de judeus pelos nazis e pelos seus colaboradores.
Em Portugal, esta efeméride passa, na maioria das vezes, despercebida, sendo tratada como mais um dia comum. Para David Joffe Botelho, presidente da direção da Comunidade Israelita de Lisboa (CIL), é essencial que a sociedade e as instituições reconheçam a relevância histórica e social deste dia. “Trazer os horrores do passado para o presente, de forma consciente e programada, é a melhor vacina para combater um futuro de ódio e preconceito”, defende.
Botelho lembra também figuras como Aristides de Sousa Mendes, que salvou milhares de vidas durante a Segunda Guerra Mundial, e destaca que a História de Portugal inclui episódios de antissemitismo, como o édito de expulsão dos judeus. Para ele, compreender estas páginas sombrias do passado é fundamental para que não se repitam.

O aumento do antissemitismo a nível global e também em Portugal é motivo de preocupação. Nos últimos anos, ataques terroristas dirigidos a judeus em locais como Manchester, Colorado, Washington e a Praia Bondi, bem como atos de vandalismo contra sinagogas e intimidação de estudantes, demonstram como a responsabilidade coletiva e a confusão entre identidade religiosa e posições políticas continuam a alimentar o ódio.
“Quando a crítica legítima a políticas concretas se transforma em desumanização e estigmatização, cria-se o terreno fértil para o antissemitismo. Ser judeu não pode ser um estigma nem sinónimo de insegurança”, sublinha Botelho.
O tema do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto em 2026, “Memória do Holocausto pela dignidade e os direitos humanos”, reforça a importância de preservar a memória histórica para combater o ódio, a intolerância e todas as formas de discriminação.
