Um grupo de investigação português liderado pela astrobióloga Lígia Coelho testou, pela primeira vez, copos menstruais em condições reais de voo espacial, confirmando que os dispositivos mantêm a integridade e funcionalidade mesmo sob acelerações extremas. O estudo, publicado na revista Nature npj Women’s Health, representa um passo importante para oferecer opções menstruais reutilizáveis em futuras missões à Lua e a Marte.
O projeto AstroCup, iniciado em 2022, lançou inicialmente dois copos de silicone a bordo do foguetão português Baltasar, subindo a três quilómetros de altitude e passando por microgravidade. As experiências mais recentes ocorreram num voo suborbital não tripulado, com 9,3 minutos de microgravidade e fases de aceleração extrema, confirmando que os copos mantêm a forma e funcionam adequadamente mesmo em condições extremas.
“A saúde das mulheres no espaço é muito pouco estudada. Há temas que continuam tabu. E se não falamos deles, ninguém investe neles” afirmou Lígia Coelho, explicando a importância de desenvolver dispositivos menstruais seguros e reutilizáveis para astronautas.
Atualmente, muitas astronautas suprimem a menstruação hormonalmente em missões longas, enquanto outras dependem de produtos descartáveis, pouco sustentáveis e caros de transportar. O AstroCup pretende oferecer soluções seguras e reutilizáveis, incluindo copos menstruais e roupa interior menstrual, adaptadas à microgravidade e à limitada disponibilidade de água no espaço.
O próximo passo será testar os dispositivos em ambiente espacial real, idealmente na Estação Espacial Internacional, garantindo às astronautas autonomia na gestão da menstruação durante missões de longa duração.


