O capitão russo Vladimir Motine, de 59 anos, foi considerado culpado de homicídio involuntário pela morte de um tripulante filipino durante a colisão do cargueiro português Solong com o petroleiro norte-americano Stena Immaculate, ocorrida a 10 de março de 2025 no Mar do Norte. O julgamento decorreu no Tribunal Criminal Central de Londres desde 12 de janeiro e a decisão foi tomada após oito horas de deliberação dos jurados.
O Solong, operado por uma empresa alemã, colidiu com o petroleiro ancorado a cerca de 20 quilómetros da costa nordeste da Inglaterra. Mark Angelo Pernia, de 38 anos, foi a única vítima mortal, impedido de ser resgatado devido ao fogo na zona onde se encontrava. Os restantes 13 tripulantes do Solong e os 23 do Stena Immaculate sobreviveram.
Durante o julgamento, a defesa alegou que Motine tentou alterar manualmente a trajectória do navio para evitar a colisão, após avistar o petroleiro a três milhas náuticas de distância, mas que a manobra não foi bem-sucedida. O procurador contestou, afirmando que o capitão “não fez nada para evitar a colisão”. Gravações da sala de controlo do navio e reconstituições do percurso foram apresentadas em tribunal.
O acidente provocou ainda o derrame de mais de 17 mil barris de combustível de aviação do Stena Immaculate e a dispersão de grânulos de plástico do Solong, afetando zonas costeiras de Yorkshire, embora tenha sido evitada uma maré negra. A Ernst Russ, proprietária alemã do cargueiro, e a Crowley, empresa norte-americana do petroleiro, apresentaram queixas mútuas na sequência do acidente.

