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A presidência portuguesa da União Europeia alertou, esta quarta-feira, os Estados-membros, que decisões individuais afetam todos, relativamente ao uso da vacina da AstraZeneca, envolta em riscos de coágulos sanguíneos, pedindo uma posição o mais coordenada possível entre os 27.

Esta posição foi anunciada, em comunicado, após a reunião virtual dos ministros europeus da Saúde, convocada de emergência e presidida pela ministra portuguesa da tutela, Marta Temido.

A videoconferência decorreu após a Agência Europeia do Medicamento ter reiterado a sua confiança na vacina britânica, mesmo tendo em conta uma possível relação entre a administração da vacina e a formação de casos muito raros de coágulos sanguíneos, sobretudo em pessoas abaixo dos 60 anos.

De acordo com a presidente da agência, Emer Cooke, os benefícios são muito superiores aos riscos. A mesma opinião tem o virologista Paulo Paixão, em declarações à RTP:

Embora defenda uma posição concertada dos estados-membros da União Europeia, Paulo Paixão entende que faz sentido a decisão de alguns países, como a Bélgica ou  Itália, de suspender a administração da vacina a pessoas com menos de 60 anos:

Nesta entrevista à RTP, o virologista diz que ainda não há uma explicação para os casos de trombose associados à vacina Vaxzevria, novo nome da AstraZeneca:

Ouvido pela Antena 1, o antigo presidente do Infarmed, Hélder Mota Filipe, defende que Portugal deve continuar a utilizar a vacina da AstraZeneca, porque o benefício da toma supera claramente os riscos a ela associados:

O professor associado da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa aconselha as autoridades de saúde a apostarem na comunicação, para que os portugueses não comecem a rejeitar a vacina da AstraZeneca.

O primeiro-ministro também defende que a avaliação da Agência Europeia do Medicamento sobre a vacina AstraZeneca deve ser respeitada. António Costa quer que a União Europeia tenha uma posição concertada:

O que é certo é que, apesar da luz verde dada pela Agência Europeia do Medicamento, países como Alemanha, Itália ou Bélgica decidiram, unilateralmente, deixar de vacinar as pessoas com menos de 60 anos com a vacina desenvolvida pela universidade britânica de Oxford.

Ainda antes do anúncio do regulador europeu, o Presidente da República referia-se ao processo de criação das vacinas como uma “Via Sacra”:

Políticos e especialistas defendem posição concertada da União Europeia, depois da Agência Europeia do Medicamento ter dado luz verde à vacina da AstraZeneca, apesar de reconhecer que existe uma associação com casos de formação de coágulos sanguíneos, sobretudo em pessoas abaixo dos 60 anos.

De referir que, segundo o Jornal i, ao contrário do que aconteceu por toda a Europa, em Portugal a maioria das reações adversas reportadas ao Infarmed após a toma das vacinas da covid-19 continua a dizer respeito à vacina da Pfizer.

Com o número de doses de vacinas administradas no país a aproximar-se dos dois milhões, até ao passado sábado tinham sido reportados, a nível nacional 3.625 casos de suspeita de reação adversa à vacina. Destes, 2.941 dizem respeito à vacina da Pfizer, 149 à vacina da Moderna e 535 à vacina da AstraZeneca.

Recorde-se que, atualmente, estão aprovadas quatro vacinas na União Europeia: Pfizer/BioNTech, Moderna, Vaxzevria, novo nome da vacina da AstraZeneca, e Janssen, do grupo Johnson & Johnson, que estará em distribuição em meados deste mês de abril. A vacina da Rússia, Sputnik V, ainda está em análise.

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