Até ao final de março de 2026, o Espaço-Museu Villa Romana do Rabaçal acolhe a exposição “Rabaçal e Sicó no Risco de João Pocinho – uma preciosa etnografia de urgência”, um conjunto de trabalhos desenvolvidos entre 1981 e 2012 que revelam, através do desenho, uma profunda leitura etnográfica do território e das suas gentes. Da autoria de João Pocinho, a exposição reúne desenhos a lápis e tinta sobre papel, nos quais o artista e etnógrafo registou, com sensibilidade e rigor, um modo de vida em acelerada transformação.
A mostra centra-se no Rabaçal e na região de Sicó, dando a conhecer práticas, paisagens e instrumentos associados ao sistema tradicional agro-pastoril. Para além dos desenhos, estão expostas peças museológicas tridimensionais que reforçam a dimensão material desta herança, como a relha e o arado, oferecidos pela comunidade local, bem como uma prensa de dois fusos proveniente de Fez, em Marrocos, que estabelece um diálogo mais amplo entre culturas rurais.

A exposição evidencia o legado transmitido de geração em geração, moldado pelo esforço diário de homens e mulheres e pelo uso contínuo dos instrumentos de trabalho que marcaram a vivência do campo. Nos desenhos de João Pocinho surgem, com atenção ao detalhe, figuras humanas em plena atividade agrícola, rebanhos nas planícies do Rabaçal, riachos, árvores, searas e pastagens, compondo uma paisagem viva onde se sente o ritmo e a cadência da vida rural.
Mais do que uma representação da paisagem, “Rabaçal e Sicó no Risco de João Pocinho” afirma-se como um testemunho visual da memória coletiva, revelando a paisagem enquanto fonte de recursos, património cultural e expressão estética. Trata-se de uma etnografia de urgência que preserva, no traço e no papel, um mundo que importa recordar, compreender e valorizar.


