O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reuniu-se esta segunda-feira com o Papa Leão XIV, no Vaticano, tendo admitido no final do encontro que ficou com a esperança de uma eventual visita do Sumo Pontífice a Portugal em 2027, por ocasião dos 110 anos das Aparições de Fátima.
O chefe de Estado foi recebido pelo Papa Leão XIV na biblioteca privada do Palácio Apostólico, numa audiência a sós com a duração de cerca de 25 minutos. Após o encontro, Marcelo Rebelo de Sousa esclareceu que o convite para visitar Portugal foi feito, embora sem uma resposta formal por parte do Papa.
“Eles nunca dizem imediatamente que sim”, afirmou, recordando que o mesmo aconteceu com o Papa Francisco. Marcelo destacou o estilo do novo pontífice, descrevendo-o como “muito racional”, de discurso curto e direto, acrescentando que, apesar da ausência de uma resposta explícita, interpretou alguns gestos como sinal positivo. “Não quero antecipar o Papa, mas fiquei com a esperança de isso corresponder a uma realidade”, sublinhou.
Questionado sobre se a eventual visita poderá depender da tomada de posse de um novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa frisou que o convite foi feito em articulação com o Governo e que o próximo chefe de Estado terá a oportunidade de o formalizar.
Durante a audiência, foram abordados vários temas, incluindo a situação política e económica de Portugal, a Europa, a guerra na Ucrânia, os países de língua oficial portuguesa e o contexto internacional. O Presidente da República referiu ainda ter agradecido ao Papa a carta enviada na sequência da passagem da depressão Kristin pela região Centro, acrescentando que Leão XIV expressou uma bênção especial às populações afetadas, manifestando surpresa pelo elevado número de municípios atingidos.
Marcelo Rebelo de Sousa salientou também as diferenças entre o atual Papa e o seu antecessor. “O Papa Francisco era mais discursivo e emotivo. Temos agora um Papa americano, muito racional, com ideias muito organizadas”, disse.
No final da audiência, houve um encontro alargado à comitiva portuguesa, com a habitual troca de presentes. O Presidente ofereceu ao Papa Leão XIV uma pintura miniatura portuguesa do século XVII que representa Santo Agostinho, uma moldura em talha dourada do século XVIII, um registo religioso da autoria de Branca Franco e o livro Dez anos por Portugal, editado pela Presidência da República.
Após o encontro com o Papa, Marcelo Rebelo de Sousa reuniu-se durante cerca de 45 minutos com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin. A comunicação social acompanhou apenas a chegada e a saída do chefe de Estado do Palácio Apostólico.
Antes da audiência papal, o Presidente da República visitou o túmulo do Papa Francisco, na Basílica de Santa Maria Maior, onde depositou um ramo de sete rosas brancas, e participou na missa celebrada na Capela Paulina.
Esta foi a última viagem oficial de Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente da República.

