Homem morre nas Taipas após atraso no socorro. Caso reacende críticas ao modelo do INEM

Um homem, de 48 anos, morreu no sábado, 11 de julho, na vila das Taipas, concelho de Guimarães, após uma paragem cardiorrespiratória, numa ocorrência que está a gerar forte polémica sobre a coordenação do socorro pré-hospitalar em Portugal.

O alerta foi dado ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) às 12h52. Apesar de os Bombeiros Voluntários das Taipas — responsáveis pela área — terem meios disponíveis e capacidade para chegar ao local em poucos minutos, foram acionados os Bombeiros de Guimarães, situados a cerca de nove quilómetros, com um tempo estimado de chegada de aproximadamente 14 minutos. A vítima acabou por morrer no local.

Em declarações à Lusa, o comandante em exercício dos Bombeiros das Taipas mostrou-se surpreendido com a decisão do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), sublinhando que a corporação local estava plenamente operacional. “Tínhamos todos os meios em prontidão e não fomos notificados para esta ocorrência”, afirmou, admitindo a possibilidade de erro na triagem ou na georreferenciação.

O responsável acrescentou ainda que os bombeiros das Taipas só foram chamados posteriormente, já após o óbito, para proceder à remoção do corpo.

Entretanto, o INEM garantiu que o caso será alvo de uma análise interna para apurar os procedimentos adotados. Segundo o instituto, a situação foi classificada como prioridade máxima (P1), tendo sido acionadas uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) e uma ambulância, além de prestadas instruções telefónicas de suporte básico de vida ao contactante até à chegada dos meios.

A VMER de Guimarães foi mobilizada às 12h55 e a ambulância às 12h58. Às 13h26, foi declarado o óbito.

O caso motivou críticas da Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM), que fala numa “falência do modelo” do sistema de emergência médica. Em comunicado, a associação aponta para uma “degradação estrutural, operacional e organizacional” do INEM, defendendo que os problemas não são pontuais, mas sim recorrentes.

A ANTEM exige uma reforma profunda do sistema, criticando a ausência de mudanças efetivas e apelando à assunção de responsabilidades políticas e de gestão. “Cada minuto numa emergência conta. Cada falha evitável tem consequências”, sublinha.

Este episódio junta-se a outros casos recentes de mortes associadas a atrasos no socorro. Nos últimos meses, foram registadas várias situações semelhantes em diferentes pontos do país, incluindo Tavira, Seixal, Sesimbra, Santarém e Ourém, algumas das quais ainda aguardam conclusões de inquéritos.

Até ao momento, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, não reagiu a este mais recente caso.

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