Associações de oficiais, sargentos e praças expressaram hoje forte desagrado pelo chumbo, no parlamento, da revisão do complemento de pensão dos militares, alertando para impactos negativos na “sustentabilidade futura da instituição” militar. A votação contou com votos contra de PSD, CDS e IL e a abstenção do PS.
A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) lembrou que o objetivo das iniciativas, apresentadas por Chega e PCP, era garantir que a reforma correspondesse a 90% do último vencimento recebido. Para a AOFA, ignorar o regime de reformas compromete a confiança dos militares no Estado e a capacidade de atrair e reter profissionais qualificados.
A associação criticou ainda a prioridade dada a grandes equipamentos e compromissos externos em detrimento do reconhecimento do esforço humano dos militares, alertando que atrasos e promessas adiadas corroem o moral e o valor das carreiras.
Na mesma linha, a Associação Nacional de Sargentos (ANS) sublinhou que a atual legislação penaliza carreiras longas e exigentes, podendo reduzir pensões até metade do rendimento esperado, gerando desigualdades significativas.
A Associação de Praças considerou a votação um reflexo das diferenças de tratamento entre militares e pediu esclarecimentos ao ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, sobre as medidas que pretende tomar para resolver esta questão crucial para o recrutamento e retenção nas Forças Armadas.

