Governo reage e questiona argumentos da Ryanair sobre fim de voos para os Açores

O Ministério das Infraestruturas expressou esta quinta-feira “surpresa” com o anúncio da Ryanair de cancelar todos os voos para os Açores a partir de março de 2026, contestando os argumentos da companhia sobre alegadas taxas aeroportuárias elevadas.

Em comunicado, o ministério sublinha que a taxa de rota para os Açores é a mais baixa da Europa, enquanto a taxa de terminal está entre as mais reduzidas. As taxas de navegação aérea, cobradas pela NAV, são calculadas segundo critérios da EUROCONTROL, baseados nos custos operacionais e no volume de tráfego. A taxa de terminal caiu de cerca de 180 euros em 2023 para 163 euros atualmente, e a proposta de taxas para 2026 mantém os valores de 2025, de 8,14 euros por passageiro, entre os mais competitivos da Europa.

A ANA – Aeroportos de Portugal também afirmou que a declaração da Ryanair foi uma surpresa, lembrando que as conversas recentes visavam aumentar a oferta de voos para Ponta Delgada, e não reduzi-la.

O Governo recordou ainda que a Ryanair recebeu dezenas de milhões de euros em incentivos ao longo dos anos, destacando o crescimento do turismo na região, com receitas em alta e aumento consistente do número de passageiros.

Por seu lado, a Ryanair justificou a decisão com o aumento de +120% nas taxas de navegação aérea após a Covid, a introdução de uma taxa de viagem de dois euros e a comparação com outros Estados da UE que têm abolido taxas para promover a capacidade aérea. A companhia considerou que estas taxas prejudicam a competitividade dos Açores e apelou à intervenção do Governo para garantir que os aeroportos sirvam o interesse público e não o de um monopólio aeroportuário estrangeiro.

0