A Polícia de Segurança Pública (PSP) está a reforçar os alertas para burlas nas regiões mais afetadas pelas recentes depressões e tempestades, apelando à prevenção e à denúncia de todas as situações suspeitas.
Os crimes contra o património, em particular as burlas, continuam a preocupar as autoridades. Apesar do maior acesso à informação, o chamado “conto do vigário” mantém-se como uma prática recorrente e eficaz na obtenção ilegítima de valor patrimonial. Os idosos continuam a ser as vítimas preferenciais nas abordagens presenciais, mas a evolução tecnológica tem alargado o leque de alvos a todas as faixas etárias, sobretudo através de contactos telefónicos e esquemas digitais.
Segundo a PSP, este fenómeno é alvo de acompanhamento permanente, através da análise e investigação criminal, bem como de medidas de prevenção assentes no policiamento de proximidade, na sensibilização pública e na divulgação dos principais métodos utilizados pelos burlões.
Nas zonas mais afetadas pelo mau tempo, a polícia refere que tem sido registada uma diminuição significativa da criminalidade participada, resultado do reforço da presença policial no terreno. Esta atuação tem contribuído para dissuadir práticas criminosas presenciais, reduzindo tentativas de burla num período de maior vulnerabilidade para muitas famílias e empresas.
Contudo, com o restabelecimento gradual das comunicações, começaram a surgir relatos de tentativas de burla por via telefónica. Em vários casos, indivíduos fazem-se passar por prestadores de serviços essenciais, como funcionários da água ou da eletricidade, alegando a necessidade de medir o caudal ou a qualidade da água, verificar ligações elétricas ou agendar visitas ao domicílio. O objetivo será obter dados pessoais e confidenciais, recolher informação relevante e criar condições para abordagens posteriores.
A PSP aconselha a não fornecer quaisquer dados pessoais por telefone, a não aceitar visitas ou “ajudas” fora dos canais oficiais e a não permitir a entrada de desconhecidos em casa. Em caso de dúvida, deve terminar a chamada e contactar de imediato as autoridades.
Foi ainda identificado um esquema em que indivíduos se fazem passar por funcionários do Ministério dos Assuntos Internos, alegando estar a verificar se os cidadãos possuem documento de identificação válido para um suposto “próximo censo”. A PSP esclarece que não existe qualquer iniciativa oficial com esse propósito, tratando-se de uma burla. Os suspeitos apresentam-se bem-apresentados, exibem documentos falsos e solicitam dados pessoais, podendo pedir fotografias, impressões digitais ou confirmação de informações constantes numa lista.
A polícia sublinha que a forma mais eficaz de evitar este tipo de crime passa pela prevenção, desconfiando de contactos inesperados e de propostas que prometam ganhos rápidos ou valores demasiado baixos face ao mercado. Reforça ainda a importância da denúncia, quer na qualidade de vítima quer de testemunha, como passo essencial para o desencadear da investigação criminal e para combater as chamadas cifras negras.
No ambiente digital, a PSP recomenda que não sejam feitas transferências de dinheiro sem confirmar a legitimidade do anunciante, que se guardem todas as comunicações, que não se acedam a ligações enviadas por e-mail fora das plataformas oficiais e que se pesquisem referências do vendedor. Aconselha também a desconfiar de anúncios mal redigidos, com erros gramaticais ou preços irrealisticamente baixos, bem como a evitar transferências para contas bancárias estrangeiras.
No plano presencial, a polícia apela a que sejam comunicados movimentos suspeitos no bairro, que não se abram portas a desconhecidos, que não sejam fornecidos dados pessoais sem confirmação da entidade e que não sejam recebidas encomendas não solicitadas. Recomenda ainda que não sejam divulgadas rotinas familiares ou a existência de bens valiosos em casa.
“A prevenção é essencial”, sublinha a PSP, que apela à atenção, à cautela e à confiança nos meios oficiais, lembrando que a segurança também depende da colaboração ativa da população.

