A Ordem dos Médicos (OM) apelou esta terça-feira a “coragem política” para reformar o serviço de urgência, defendendo que os médicos internos não devem ser colocados em serviços carenciados de especialistas, devido ao risco de esgotamento profissional e à segurança dos utentes.
Numa audição na Comissão Parlamentar de Saúde, o bastonário da OM, Carlos Cortes, afirmou que a atual pressão sobre os serviços de urgência cria “disfunções no internato médico” e desincentiva os jovens médicos de escolherem especialidades como Medicina Interna. “Desculpem-me a expressão, mas eles não são carne para canhão”, sublinhou.

O bastonário acrescentou que a sobrelotação dos serviços de urgência, que recebem muitas situações não urgentes, exige mudanças estruturais. “O SNS precisa de especialistas e não de médicos sem diferenciação”, frisou, alertando que a pressão crescente na parte assistencial do sistema tem impactos na qualidade da formação médica.
Carlos Cortes destacou ainda o aumento das vagas para formação de especialistas, de 1.680 em 2017 para 2.335 em 2026, o número mais elevado de sempre. Sublinhou a importância do acompanhamento da OM nos hospitais, exemplificando com o Hospital Amadora-Sintra, onde a Ordem tem trabalhado para manter médicos especialistas e garantir a capacidade formativa.
