O ministro dos Transportes e Logística de Moçambique afirmou que o país tem sido “quase uma referência” na mitigação dos impactos de eventos climáticos extremos, em particular na redução de fatalidades, apesar de ser recorrentemente afetado por fenómenos severos.
João Matlombe falava nos Emirados Árabes Unidos, onde integra a delegação que acompanha o Presidente da República, Daniel Chapo, numa visita de trabalho. Segundo o governante, Moçambique, enquanto país costeiro, tem sido ciclicamente assolado por eventos extremos, mas tem conseguido minimizar as consequências humanas.
“Moçambique é um país costeiro, que tem sido assolado, quase nos últimos anos, de forma cíclica, por eventos extremos, e nós temos sido quase uma referência em ações de mitigação e redução dos impactos negativos, sobretudo estamos a falar das fatalidades”, afirmou.
De acordo com o ministro, mesmo num contexto de chuvas intensas como o que se verifica atualmente, o país tem-se destacado na região austral de África pela gestão de eventos complexos e severos com baixos níveis de mortalidade. Esse resultado, sublinhou, decorre do trabalho desenvolvido pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), em articulação com várias instituições multissetoriais do Governo.
“Não temos como conter os eventos extremos, mas a forma como lidamos com eles acaba por ser uma experiência bem-sucedida, que pode ser partilhada com outros países”, disse João Matlombe, acrescentando que parte dessas experiências está a ser apresentada numa cimeira de sustentabilidade nos Emirados Árabes Unidos.
Moçambique regista chuvas intensas em quase todo o território desde a semana passada, levando o Instituto Nacional de Meteorologia a emitir avisos vermelhos para precipitação forte e trovoadas, que têm provocado inundações sobretudo nas regiões centro e sul do país.
Na província de Maputo, no sul, encontram-se ativos dois centros de acomodação provisória nos arredores da capital, segundo o presidente do município da Matola, Júlio Parruque.
Moçambique é considerado um dos países mais vulneráveis às alterações climáticas, sendo frequentemente afetado por cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril. Entre 2019 e 2023, os eventos extremos causaram pelo menos 1.016 mortos e afetaram cerca de 4,9 milhões de pessoas, de acordo com dados oficiais.

