De 18 de fevereiro a 12 de abril, Santa Maria da Feira apresenta a Semana Santa 2026, um programa de grande dimensão que cruza música, exposições, conferências, recriações históricas e gastronomia tradicional. Com 54 dias de programação e cerca de 300 participantes, esta edição distingue-se pela separação entre programa litúrgico e programa cultural, bem como por um conjunto de estreias que valorizam o património imaterial.
Inspirada na figura da Mater Dolorosa, símbolo universal de dor, compaixão e resistência, a edição propõe uma leitura contemporânea de temas intemporais, acessível a diferentes públicos.
Entre as novidades, destaca-se a conferência “Apregoar as Almas”, dedicada à recuperação de uma tradição quaresmal quase desaparecida em Caldas de São Jorge, em diálogo com práticas semelhantes de outros territórios, como a Encomendação das Almas de Idanha-a-Nova.
No plano musical, salientam-se a Missa Brevis de Jacob de Haan, interpretada pelo Coro do Orfeão da Feira, o Stabat Mater de Alessandro Scarlatti, pelo Iberian Ensemble, e o Requiem de Mozart, pela Orquestra e Banda Sinfónica de Jovens de Santa Maria da Feira, com o Coro da Sé do Porto.
O programa cultural inclui ainda duas exposições: uma dedicada aos Cristos Crucificados de devoção doméstica, no Museu Convento do Lóios, e outra sobre a iconografia da Mater Dolorosa, a partir das coleções do Museu de Lamas.
As peregrinações, visitas guiadas e recriações históricas reforçam a ligação entre espiritualidade, território e património, enquanto os clubes de gastronomia e showcookings recuperam sabores tradicionais de jejum e partilha, como o pão de trigo barbela e o cabrito pascal.
No plano litúrgico, mantêm-se os momentos centrais da fé do concelho: Procissão dos Passos em Rio Meão e Paços de Brandão, Procissão das Endoenças, Via Sacra encenada pelo Grupo Gólgota, Vigília Pascal e Visita Pascal – Compasso, manifestações que continuam a mobilizar milhares de fiéis.
A Semana Santa de Santa Maria da Feira consolida-se como um evento cultural de referência, onde arte, património, tradição e criação contemporânea se cruzam numa narrativa identitária aberta e plural.


