Marques Mendes anuncia voto em Seguro; Ventura ironiza e Montenegro mantém silêncio

Luís Marques Mendes, candidato derrotado na primeira volta das eleições presidenciais, revelou na noite de quinta-feira que votará em António José Seguro na segunda volta, marcada para 8 de fevereiro. O ex-candidato, apoiado pelo PSD e CDS-PP, justificou a decisão como uma questão de “coerência”, defendendo que Seguro é o único candidato que se aproxima dos valores que sempre defendeu, como a defesa da democracia, a moderação e a representação de todos os portugueses.

A reação do adversário André Ventura não se fez esperar. Num vídeo divulgado nas redes sociais, Ventura ironizou o anúncio, referindo que não se esperava esta decisão, e acusou Marques Mendes de se unir ao que descreveu como o “tacho de interesses” habitual da política portuguesa.

O presidente do PSD, Luís Montenegro, não comentou publicamente o sentido de voto. Rui Moreira, ex-presidente da Câmara do Porto, sugeriu que Marques Mendes precisou de tempo para “fazer o luto” da derrota antes de declarar o apoio a Seguro. Segundo o jornal Público, Marques Mendes terá optado por adiar o anúncio para não constranger Montenegro, que optou por não apoiar nenhum dos candidatos da segunda volta.

Outros pesos pesados da direita também manifestaram apoio a Seguro. Entre eles estão Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, e Assunção Cristas, ex-líder do CDS-PP. Ambos afirmaram que vão votar em Seguro, embora Moedas admita fazê-lo “sem entusiasmo”, e Cristas ressalte que não mantém qualquer relação pessoal com o candidato.

Na primeira volta, António José Seguro obteve 31% dos votos, enquanto André Ventura ficou com 23%. Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, alcançou 16%, Gouveia e Melo 12% e Marques Mendes 11%. À esquerda, Catarina Martins (BE) teve 2%, António Filipe (PCP) 1,6% e Jorge Pinto (Livre) 0,6%. Outros candidatos minoritários obtiveram resultados inferiores a 0,5%.

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