O documentário “La Vie de Maria Manuela”, que estreia nos cinemas a 12 de fevereiro, acompanha a vida de Maria Manuela Gomes, nascida em 2001 na Póvoa do Varzim, revelando a mulher por detrás da persona digital que o público conheceu.
Filmado ao longo de quatro anos pelo realizador João Marques e produzido por Justin Amorim, o filme explora a identidade, a adolescência tardia e a reconstrução pessoal de Marie, incluindo a sua participação no Big Brother e a vida sob o olhar constante das redes sociais. Segundo a protagonista, o documentário é o único momento em que se mostra tal como é: “O meu canal, o meu conteúdo, sempre foram uma personagem. Este documentário é o único momento em que sou eu.”
O filme recusa reduzir a saúde mental ao sofrimento ou ao diagnóstico. Marie afirma: “Em Portugal, basta uma pessoa ter um surto para ser reduzida a isso para sempre.” Em vez disso, a narrativa foca-se na criação artística como forma de sobrevivência e expressão — pintar, escrever, transformar espaços e experimentar.
Visualmente, o documentário reflete a tensão entre performance e recolhimento, usando cor em momentos de expressão e branco em momentos de introspeção. Um dos momentos mais comoventes mostra Marie a transformar uma antiga vacaria num espaço habitável, um gesto de reparação e reconquista da infância.
Produzido inicialmente sem apoio institucional, o projeto só recebeu financiamento do Instituto do Cinema e Audiovisual na fase final, garantindo qualidade técnica e continuidade da produção. Para Marie, o documentário representa um fecho pessoal: “Quando vi o filme sozinha, comecei a chorar. Percebi que não havia nada de errado comigo. Eu só estava assustada.”
O filme não promete soluções fáceis, mas mostra a força de existir e criar, mesmo nos momentos mais difíceis, e oferece uma reflexão sobre identidade, liberdade e autenticidade no mundo contemporâneo.

