O presidente deposto da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, acusou Portugal de um comportamento hostil, em entrevista ao canal 1Africa TV, na sequência do golpe de Estado ocorrido no país esta quarta-feira.
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Embaló, que chegou a Dacar na quinta-feira à noite num avião fretado pelo Governo do Senegal, afirmou que sempre que o presidente da Guiné-Bissau é muçulmano, nomeadamente com nomes como “Mamadou, Omar ou Ibrahim”, Portugal mantém uma postura hostil. Segundo o antigo chefe de Estado, esta reação ignora o facto de cerca de 60% da população guineense ser muçulmana.
Estas declarações entram em contradição com as mensagens transmitidas pelo Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, que indicou ter contactado Embaló e recebido respostas de agradecimento e cordialidade.
Reações internacionais
O golpe de Estado gerou críticas e mobilizou organismos internacionais. Tanto a CPLP como a CEDEAO convocaram reuniões de emergência para avaliar a situação, enquanto a União Europeia apelou ao regresso célere à ordem constitucional e à contenção para evitar mais violência. A União Africana, através do ex-presidente moçambicano Filipe Nyusi, destacou que o país apresentava um ambiente calmo, mas com “alguma timidez na movimentação da população”.
O golpe de Estado
Na quarta-feira, um grupo de militares anunciou a tomada do poder, destituindo Embaló, suspendendo o processo eleitoral e impondo recolher obrigatório. Segundo os militares, a ação visou prevenir uma ameaça crescente à democracia e à estabilidade política, alegando risco de desordem pública e ingerência do Estado.
Este episódio é o 10.º golpe de Estado em África desde 2020, juntando-se a crises recentes em países como Mali, Níger, Sudão, Gabão, Madagáscar, Guiné-Conacri e Burkina Faso.

