Hong Kong anuncia investigação independente a incêndio e mantém eleições legislativas

O Governo de Hong Kong anunciou hoje a criação de uma comissão independente, presidida por um juiz, para investigar o incêndio que, na quarta-feira, matou pelo menos 151 pessoas no complexo residencial Wang Fuk Court, no norte da região semiautónoma. Quase 40 pessoas permanecem desaparecidas.

O chefe do Executivo, John Lee Ka-chiu, afirmou que a comissão terá como objetivo apurar as causas do incidente e propor alterações estruturais, garantindo que “os culpados serão responsabilizados independentemente da sua posição”. A investigação já levou à detenção de mais de uma dezena de pessoas por alegado homicídio por negligência, em contexto de irregularidades nas obras de manutenção do complexo de habitação pública.

Exames periciais realizados a 20 amostras de material de rede instaladas no exterior revelaram que sete não cumpriam as normas de resistência ao fogo. Parte do material aprovado foi apenas instalado nos pisos térreos para evitar controlos após o supertufão Ragasa, em julho.

Paralelamente, pelo menos três pessoas foram detidas por supostas infrações à segurança nacional, incluindo um estudante universitário que lançou uma petição com mais de 10 mil assinaturas a favor de uma investigação independente. O gabinete de proteção da segurança nacional advertiu que tais ações “serão punidas sem piedade”.

Apesar da tragédia, as eleições legislativas de domingo mantêm-se, uma decisão justificada pelo Governo como forma de respeitar a ordem constitucional e o Estado de direito. John Lee sublinhou que os futuros deputados terão um papel fundamental na supervisão dos fundos públicos e na revisão de políticas para prevenir novas catástrofes.

O incidente destaca falhas no sistema de manutenção de edifícios e motivou o anúncio de reformas estruturais, incluindo a revisão completa do sistema de reabilitação de edifícios de Hong Kong.

O Conselho Legislativo (LegCo) tem 90 lugares, dos quais apenas 20 são eleitos por sufrágio direto, 30 por setores de atividade e 40 designados por um colégio eleitoral predominantemente pró-Pequim. Nas últimas eleições, a participação foi de apenas 30,2%, a mais baixa até hoje, levando as autoridades a lançar campanhas para incentivar o voto, embora eventos públicos tenham sido suspensos após o incêndio.

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