O ex-produtor de Hollywood Harvey Weinstein regressou ao tribunal esta quarta-feira para tentar anular a sua mais recente condenação por crimes sexuais, alegando que os jurados foram pressionados e intimidados durante as deliberações na primavera passada.
O caso de Weinstein, atualmente com 73 anos, atravessa o sistema judicial há sete anos, envolvendo julgamentos em dois estados, reviravoltas e um novo julgamento em Nova Iorque que terminou de forma confusa no ano passado. Mais de oitenta mulheres denunciaram o produtor, dando início ao movimento #MeToo nos meios de comunicação.
Durante o julgamento, Weinstein foi condenado por forçar uma mulher a ter sexo oral, absolvido em relação a outra acusação semelhante, e o júri não conseguiu decidir sobre uma alegação de violação envolvendo uma terceira vítima — crime que os procuradores pretendem levar a novo julgamento.
Os advogados de Weinstein alegam que as mulheres aceitaram voluntariamente relações na esperança de obter vantagens profissionais, e que depois algumas acusaram-no falsamente por interesses financeiros ou de notoriedade. O veredicto foi emitido após jurados relataram tensões e pressões durante as deliberações. Um jurado chegou a expressar medo pela própria segurança, alegando que teria sido ameaçado por outro membro do júri, enquanto outro relatou ter cedido à agressividade verbal dos colegas.

Weinstein pede agora a nulidade do julgamento, argumentando que estas tensões e ameaças comprometeram o processo e que o juiz não investigou suficientemente as alegações antes de negar pedidos anteriores de anulação.
Por sua vez, os procuradores afirmam que os casos relatados foram isolados, tratados adequadamente pelo tribunal e que declarações posteriores dos jurados são contraditórias. O juiz Curtis Farber deverá decidir sobre a validade do veredicto, podendo anular a condenação, ordenar uma audiência ou considerá-la válida, decisão que poderá ainda ser objeto de recurso.
Enquanto isso, os procuradores mantêm-se preparados para levar Weinstein a novo julgamento pelo crime de violação sobre o qual o júri não conseguiu decidir, e o ex-produtor continua a recorrer de outra condenação por violação em Los Angeles.
