O Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, que representa os funcionários parlamentares, apresentou uma queixa formal à secretária-geral da Assembleia da República contra deputados do Chega, alegando comportamentos que colocam em causa a dignidade e o bem-estar dos trabalhadores.
Na denúncia, enviada também ao Conselho de Administração do Parlamento, o sindicato aponta o “descontrolo de atitudes do grupo parlamentar do Chega”, que estaria a afetar “a dignidade, autoestima, saúde mental e integridade física” dos funcionários. Entre as acusações feitas pelos deputados do partido, constam alegadas faltas de neutralidade política e manipulação dos Diários da Assembleia da República.
Um dos exemplos citados refere-se a Pedro Frazão, que contestou a transcrição da sessão plenária de 17 de setembro, acusando os serviços de omitir protestos de Hugo Soares que considerou “intimidatórios”. Após a análise das gravações, os serviços concluíram que o líder parlamentar do PSD dissera “moradas” e não “porradas”, levando ao arquivamento da queixa.

O sindicato recorda ainda um momento ocorrido a 27 de outubro, quando André Ventura e outros deputados acusaram publicamente os serviços parlamentares de lhes cortarem o tempo de intervenção, afirmando que os funcionários “estão aqui pagos pelos impostos dos portugueses”.
A estrutura sindical pede medidas urgentes de proteção para os trabalhadores, alertando para o “enorme desconforto” e “extrema ansiedade” que estes episódios têm provocado. A denúncia sublinha que está em causa o bom nome e a idoneidade dos funcionários, rejeitando qualquer violação do seu direito à honra e reputação.
Contactada, a secretária-geral da Assembleia da República não respondeu até ao momento. Segundo o Expresso, a queixa já foi encaminhada para o gabinete do presidente do Parlamento, José Pedro Aguiar-Branco, embora não tenha sido desencadeada qualquer diligência por não se tratar de matéria da sua competência.
