Paulo Abreu dos Santos, ex-adjunto da Justiça e advogado, detido por abuso sexual de crianças e por mais de 500 crimes de pornografia infantil, está agora sob investigação por suspeita de ter cometido alguns dos abusos no terreiro do Orixás – Ilê Axé Omô Oxum, em Vale de Milhaços, Corroios. O espaço, frequentado pelo antigo adjunto, pela mãe e pelo irmão, é destinado à prática do Candomblé, religião afrobrasileira de culto aos orixás.
Segundo a imprensa, Abreu dos Santos admitiu às autoridades ter abusado sexualmente de dois meninos de 10 anos e possuía vídeos que comprovam os crimes. As investigações visam agora apurar se existem mais vítimas e outros locais onde os abusos possam ter ocorrido.
Testemunhas descrevem o ex-adjunto como “malvado”, “sádico” e “descompensado”, alguém que intimidava os mais vulneráveis e usava os cargos que ocupava para exercer poder. Nas aulas de Direito que lecionava na Universidade de Lisboa, referia-se frequentemente como “paizão” ou “paizinho”, algo que colegas consideravam apenas um hábito de professor.
A Polícia Judiciária já realizou buscas na residência de Abreu dos Santos e na sociedade de advogados onde trabalhava, a Ana Bruno & Associados, e prepara-se para investigar o terreiro onde se suspeita que os abusos ocorreram.

O advogado Marco Antão, inicialmente responsável pela defesa de Abreu dos Santos, renunciou ao caso alegando “objeção de consciência”, dada a natureza dos crimes sexuais envolvendo menores. Não há ainda informação sobre o seu substituto.
Além disso, Abreu dos Santos terá participado em 13 grupos fechados do Signal e do Telegram dedicados à pornografia infantil, alguns dos quais estavam a ser monitorizados pelas autoridades internacionais, que alertaram a Polícia Judiciária para a atividade do advogado.
Paulo Abreu dos Santos foi adjunto do Ministério da Justiça liderado por Catarina Sarmento e Castro entre 2023 e 2024, e até à detenção exercia funções de advogado e professor assistente convidado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
