As autoridades norte-americanas divulgaram novas imagens e registos áudio do tiroteio ocorrido na Universidade Brown, em dezembro, atribuído a Cláudio Neves Valente, cidadão português entretanto encontrado morto. O ataque resultou na morte de dois estudantes e em nove feridos.
De acordo com a cidade de Providence, as imagens divulgadas foram fortemente censuradas, de forma a evitar impacto adicional sobre as vítimas, familiares e comunidade académica, e para “manter a confiança da comunidade”. Parte do material audiovisual solicitado por órgãos de comunicação social inclui imagens de câmaras corporais da polícia e gravações das comunicações entre agentes.
O presidente da Câmara de Providence, Brett Smiley, afirmou que a divulgação cumpre a Lei de Acesso a Registos Públicos do estado, sublinhando, no entanto, a natureza sensível dos conteúdos. “Sabemos que as imagens e o áudio que somos obrigados a divulgar serão provavelmente prejudiciais e traumatizantes para as vítimas, famílias e vizinhos que ainda estão a recuperar deste incidente”, declarou.
Entre os registos agora tornados públicos encontra-se um áudio de um agente da polícia do campus, registado às 16h07 locais, no qual é reportada a ocorrência de disparos na Hope Street. Minutos depois, é transmitida a descrição do suspeito, vestido de preto e com máscara de ski, sem direção de fuga conhecida.
As imagens das câmaras corporais mostram um cenário descrito pelas autoridades como caótico, com agentes a tentarem perceber se o atirador ainda se encontrava no edifício e a procederem à evacuação dos estudantes. Mochilas e outros objetos pessoais surgem espalhados pelos corredores, enquanto os agentes alertam para a possibilidade de um atirador ativo.
Cláudio Neves Valente, de 48 anos, antigo aluno da Universidade Brown, é também suspeito de ter assassinado, dois dias depois, o professor português do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Nuno Loureiro, na sua residência em Brookline, nos arredores de Boston. Ambos frequentaram a mesma escola em Portugal durante a década de 1990.
Valente foi encontrado morto dias depois num armazém em New Hampshire. Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o suspeito planeou os ataques durante anos e deixou vários vídeos nos quais confessou os homicídios, embora sem indicar motivações concretas. O dispositivo eletrónico que continha essas gravações foi recuperado pelo FBI durante as buscas ao local.
As autoridades explicam que a divulgação dos registos foi adiada a pedido das famílias das vítimas, tendo ocorrido apenas após a realização de um memorial no campus da Universidade Brown.

