O quadro meteorológico adverso que afeta Portugal continental, marcado por chuva intensa, vento forte, agitação marítima e queda de neve, deverá prolongar-se até quarta-feira, aumentando o risco de cheias e inundações, sobretudo nas regiões Norte e Centro. O alerta foi deixado esta segunda-feira pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
Em conferência de imprensa realizada ao início da noite, na sede da ANEPC, em Carnaxide, o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, sublinhou que os principais rios do país “estão no limite da sua capacidade”, tornando expectável um agravamento das inundações com a precipitação prevista para os próximos dias.
Segundo a Proteção Civil, a previsão aponta para chuva por vezes forte no litoral Norte e Centro, vento moderado a forte na faixa costeira e nas terras altas, com rajadas que podem atingir os 75 km/h, além de agitação marítima significativa e queda de neve acima dos 1.000 metros de altitude. Estas condições meteorológicas deverão ter impacto direto nas albufeiras, muitas das quais se encontram já saturadas e com caudais elevados.
Entre os cursos de água com risco significativo de inundação destacam-se os rios Mondego, Tejo, Sorraia e Sado. A Proteção Civil alerta igualmente para risco nos rios Vouga, Águeda, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana, com especial preocupação na região do Minho, onde o impacto da precipitação poderá ser mais severo durante o dia de terça-feira.
Atualmente, encontram-se ativados 11 planos distritais de emergência, bem como 125 planos municipais e 19 declarações de situação de alerta decretadas pelos próprios municípios. O plano especial de cheias da bacia do Tejo mantém-se no nível máximo (vermelho).
A ANEPC alerta ainda para a possibilidade de “flash floods” em meio urbano, deslizamentos de terras, colapso de muros e taludes rodoviários, interrupções de vias e isolamento de localidades. O piso escorregadio, a presença de lençóis de água nas estradas e o arrastamento de objetos soltos continuam a ser fatores de risco acrescido, a par da agitação marítima na orla costeira.
Para terça-feira, prevê-se igualmente a formação de nevoeiros e neblinas, que poderão agravar as condições de segurança rodoviária. Nesse sentido, a Proteção Civil reforça as recomendações à população, aconselhando a não atravessar estradas inundadas, evitar zonas ribeirinhas, túneis e passagens inferiores, bem como a manter-se em locais elevados e seguros. Em caso de necessidade de abandonar a habitação, deve ser levado apenas o essencial, com especial atenção aos medicamentos.
Desde 28 de janeiro, a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou 15 mortes em Portugal, além de centenas de feridos, desalojados e elevados prejuízos materiais. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo continuam a ser as mais afetadas.
Perante a dimensão dos estragos, o Governo decidiu prolongar a situação de calamidade até ao dia 15 em 68 concelhos e anunciou medidas de apoio que podem ascender a 2,5 mil milhões de euros, destinadas à recuperação de habitações, empresas e infraestruturas atingidas pelo temporal.

