O risco significativo de rutura de um dos diques do rio Mondego está a gerar preocupação na região de Coimbra e a mobilizar a Proteção Civil e o Governo. Mas afinal, o que é um dique e o que pode acontecer se colapsar?
Um dique é uma estrutura construída para conter e canalizar a água de um rio, evitando que esta se espalhe pelas áreas circundantes, sobretudo em períodos de cheia. De forma simples, pode ser comparado a um pequeno canal feito na areia da praia, com margens laterais que orientam o curso da água e impedem que esta se disperse.
Segundo o professor do Instituto Superior Técnico, Jorge Paulino Pereira, se um dique rebentar, a consequência direta é a inundação das áreas adjacentes. “Se um dique rebentar, não tem problema. Alaga a zona que está ao lado. Os campos agrícolas é que vão ficar todos encharcados e as pessoas não os podem usar”, explicou, em declarações à SIC Notícias.
O docente rejeita a ideia de que a rutura de um dique funcione “como uma bomba”, como foi referido pela presidente da Câmara de Coimbra. “O dique rebentou, a água que está no rio vai sair e inundar os campos. E, a partir desse momento, toda aquela zona fica completamente alagada”, afirmou, afastando cenários de catástrofe generalizada.
Ainda assim, alertou para o impacto significativo nas zonas construídas em leitos de cheia, defendendo que não deveriam existir habitações nessas áreas. “As autarquias deviam ter proibido toda a construção, sobretudo de urbanizações, no leito de cheia”, sublinhou, lembrando que o risco de danos por inundações é elevado nesses locais.
Coimbra é, neste momento, a zona “mais preocupante”, de acordo com o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). Mário Silvestre alertou para o “risco significativo” de rutura num dos cerca de 30 quilómetros de diques que se estendem entre Coimbra e a Figueira da Foz, num contexto de cheias e derrocadas provocadas pelo mau tempo.
Também o primeiro-ministro reconheceu que o país vive “um tempo de grande exigência” e garantiu que estão a ser tomadas todas as medidas possíveis para gerir o caudal do Mondego, incluindo evacuações preventivas, assegurando que tudo o que pode ser feito “está a ser feito” para minimizar os impactos.

