A advogada de vários dos 37 alegados membros da organização de ideologia nazi 1143, detidos na terça-feira pela Polícia Judiciária (PJ), afirmou esta terça-feira que se trata apenas de “um grupo de convívio”, sem qualquer intenção violenta.
Mayza Consentino fez estas declarações à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, onde os suspeitos começaram a ser apresentados a um juiz para identificação e eventual tomada de declarações. Questionada sobre se considera que se trata de liberdade de expressão, face à alegada ameaça a minorias étnicas, a mandatária respondeu que sim, sublinhando conhecer Mário Machado, apontado como líder do grupo, e descrevendo-o como alguém que luta por um Portugal “seguro e digno”.
A PJ deteve 37 pessoas com idades entre os 30 e os 54 anos, com “vastos antecedentes criminais” e ligações a grupos de ódio internacionais, no âmbito da operação “Irmandade”. Foram ainda constituídos 15 arguidos e realizadas 65 buscas. Segundo a PJ, os detidos difundiam ideologia nazi e extrema-direita radical e violenta, praticando crimes de discriminação, incitamento ao ódio e violência, ameaça, coação, ofensa à integridade física e detenção de armas proibidas. Entre os detidos estão um elemento da PSP e um militar.
Apesar de não existir ação criminosa concretizada, a PJ sublinha que o grupo tinha intenção de realizar atos violentos. Foram apreendidos elementos relevantes para a investigação, incluindo instruções dadas por Mário Machado a partir da prisão, onde cumpre pena por outro processo de incitamento ao ódio.
O diretor nacional da PJ, Luís Neves, explicou que a atuação preventiva visa evitar novos crimes, referindo casos passados de violência motivada por ideologia de ódio, como o homicídio de Alcindo Monteiro em 1995, no Bairro Alto, Lisboa.
Não há, para já, previsão de quando o tribunal irá decidir sobre as medidas de coação a aplicar aos detidos.

