A advogada de José Sócrates na Operação Marquês, Sara Leitão Moreira, solicitou a renúncia do cargo com efeitos imediatos, alegando ser “humanamente impossível” analisar os autos do processo em apenas 10 dias.
À saída do tribunal, a advogada afirmou que não pretende fazer “futurologia”, mas defende que o tribunal deve avaliar se os procedimentos estão a surtir efeito. “Se não me deixam fazer o meu trabalho, não estou aqui a fazer nada. Eu não sou um figurante”, sublinhou.
Sara Leitão Moreira tinha apresentado na segunda-feira um requerimento contra a decisão do tribunal que lhe concedeu apenas dez dias para preparar a defesa. No documento, argumenta que o prazo é “manifestamente insuficiente” e uma “afronta aos direitos fundamentais”, propondo um período de cinco meses para analisar o processo, que descreve como “monumental” e de “especialíssima complexidade”.
O processo acumula 89 sessões de julgamento e mais de 400 horas de gravações de depoimentos, tornando praticamente impossível obter um conhecimento completo em apenas dez dias. A advogada destacou ainda que os mandatários anteriores, José Preto e Pedro Delille, também renunciaram aos seus cargos.
Com a renúncia, o tribunal determinou a nomeação de um advogado oficioso para que o julgamento prossiga, mantendo o prazo de 10 dias para consulta dos autos. A sessão desta terça-feira foi interrompida brevemente para que o novo advogado pudesse ser chamado.

