Menino de 9 anos resgatado de carrinha onde viveu encarcerado mais de um ano em frança

Uma criança de 9 anos foi resgatada pelas autoridades francesas após ter sido mantida em cativeiro dentro de uma carrinha durante mais de um ano, num pátio comum de um complexo habitacional em Hagenbach. O alerta foi dado por uma vizinha que estranhou os sons vindos do veículo, levando à descoberta do menino num estado de desnutrição severa, nu e em posição fetal sobre um monte de lixo e fezes. Segundo o procurador de Mulhouse, Nicolas Heitz, o cenário era de tal forma grave que o menor já não tomava banho desde o final de 2024 e tinha perdido a capacidade de caminhar devido ao tempo prolongado em que foi forçado a permanecer encolhido.

O pai da criança, um homem de 43 anos, confessou que o filho permanecia fechado na carrinha desde novembro de 2024. Justificou a ação alegando que a sua atual companheira não aceitava o menino em casa e insistia no seu internamento numa instituição psiquiátrica, embora os exames médicos confirmem que o menor não possui qualquer problema de saúde mental e tinha até um percurso escolar exemplar. Durante o cativeiro, o menino urinava em garrafas de plástico e defecava em sacos de lixo, enquanto o pai utilizava a mesma carrinha diariamente para trabalhar, alimentando o filho apenas duas vezes por dia e convencendo vizinhos e familiares de que os ruídos eram de um gato.

A investigação apurou ainda que o menino terá entrado brevemente no apartamento da família em maio de 2025, durante as férias dos restantes familiares, mas regressou logo ao veículo. O caso levanta questões sobre falhas no sistema, uma vez que a escola cessou o acompanhamento quando a família alegou uma transferência escolar que nunca ocorreu. Atualmente, o pai está detido por sequestro e privação de cuidados, enquanto a companheira enfrenta acusações que incluem a omissão de auxílio e suspeitas de agressão sexual, factos que a própria nega. O menino permanece hospitalizado sob proteção estatal, juntamente com outras duas crianças que foram retiradas da habitação.

0