EUA defendem maior envolvimento da NATO na segurança do Ártico

O embaixador dos Estados Unidos na NATO, Matthew Whitaker, defendeu esta terça-feira um maior envolvimento da Aliança Atlântica na segurança do Ártico, adiantando que está a ser preparada uma nova missão conjunta para reforçar a vigilância na região.

“À medida que o gelo recua e se abrem rotas comerciais, assiste-se a uma maior atividade e a uma maior necessidade de conhecimento e vigilância da região”, afirmou o diplomata, sustentando que a resposta deve passar por “uma abordagem abrangente” no seio da NATO. “Exigirá certamente mais da Aliança, e não pode ser apenas mais dos Estados Unidos”, acrescentou.

As declarações foram feitas numa conferência de imprensa por videoconferência de antevisão da reunião de ministros da Defesa da NATO, marcada para quinta-feira, em Bruxelas, à qual se seguirá uma nova sessão do grupo de contacto de apoio à Ucrânia, que reúne cerca de 50 países.

Na reunião ministerial, os Estados Unidos estarão representados pelo subsecretário da Defesa, Elbridge Colby, e não pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth.

Whitaker sublinhou que o Ártico é uma região onde a NATO “deve mostrar-se forte”, por ser “essencial para a segurança nacional e a economia” norte-americanas. Enquanto nação ártica, disse, os Estados Unidos vão defender os seus interesses “perante a crescente concorrência da China e da Rússia”.

A nova iniciativa, designada “Sentinela do Ártico”, está a ser preparada sob responsabilidade do Comandante Supremo Aliado na Europa (SACEUR), o general norte-americano Alexus G. Grynkewich. As linhas de base da missão poderão ficar prontas nos próximos dias. Segundo Whitaker, a operação poderá assumir um carácter temporário, à semelhança dos batalhões multinacionais destacados pela NATO nos Estados bálticos e no flanco leste.

“Confiamos nos profissionais militares para planear como será uma ação de vigilância reforçada no Ártico”, afirmou.

Questionado sobre o projeto “Cúpula Dourada”, anteriormente referido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para reforçar a segurança na Gronelândia — território autónomo da Dinamarca —, o embaixador indicou que a iniciativa poderá envolver o posicionamento de recursos no território.

Whitaker apontou ainda a importância estratégica dos minerais existentes na região, defendendo a necessidade de impedir que a sua exploração seja dominada por “adversários” como a China e a Rússia, bem como de reforçar o conhecimento sobre quem opera e transita nas rotas do Ártico.

“O objetivo é assegurarmo-nos de que temos uma compreensão muito clara do que está a acontecer no Ártico, especialmente nas rotas de acesso à América do Norte e à Europa”, resumiu.

O diplomata alertou também que uma eventual independência total da Gronelândia face à Dinamarca poderia deixá-la fora da NATO, tornando-a mais vulnerável à influência de países adversários da Aliança. Nesse contexto, referiu que decorrem conversações políticas trilaterais entre a Gronelândia, a Dinamarca e os Estados Unidos para resolver questões pendentes.

Por fim, Whitaker destacou a necessidade de a Europa assumir maior responsabilidade na defesa convencional do continente. “Os Estados Unidos não vão desaparecer, mas devemos garantir que os meios fundamentais são melhorados e fornecidos pelos nossos aliados europeus”, concluiu.

0