Ministra da Administração Interna demite-se e partidos falam em “única saída”

A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, demitiu-se na noite de terça-feira, tendo o pedido sido aceite pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. A informação foi divulgada através de uma nota publicada no site da Presidência.

No comunicado, é referido que a ministra “entendeu já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo”. A proposta de demissão foi apresentada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, que assumirá transitoriamente as respetivas competências.

Esta é a primeira demissão no XXV Governo PSD/CDS-PP, liderado por Luís Montenegro, pouco mais de oito meses após a tomada de posse, ocorrida a 5 de junho de 2025.

A saída de Maria Lúcia Amaral surge na sequência das críticas à gestão da resposta à depressão Kristin, que atingiu o país há cerca de duas semanas e provocou pelo menos 15 vítimas mortais.

Reações partidárias

Os partidos com assento parlamentar reagiram de imediato à demissão, muitos deles já tinham vindo a pedir a saída da governante.

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, considerou que “há um problema de acerto do Governo na resposta às crises, de que esta é apenas a expressão mais recente”. Para o socialista, a demissão “é a prova de que o Governo falhou na resposta a esta emergência, a esta tempestade”.

Também o líder do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, classificou a demissão como “a única saída” possível. Numa nota publicada na rede social X, afirmou que “entre a falta de prevenção e o erro na resposta, o Governo falhou no seu dever mais básico: proteger o nosso povo”.

A presidente da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, sublinhou que “o Governo deve enfrentar esta pasta com competência, resposta pronta e capacidade de comunicação em situação de crise”. A dirigente liberal criticou ainda o que considerou ter sido uma demora na resposta: “Há cinco dias. Foram cinco dias que se perderam. As populações estão desesperadas. São necessárias soluções já”.

Já o presidente do Chega, André Ventura, afirmou que a demissão “é a prova da incapacidade do Governo em gerir todas as adversidades que o país tem enfrentado, desde os incêndios ao recente fenómeno das tempestades”. Acrescentou tratar-se de “um falhanço evidente de Luís Montenegro que, da Saúde à Administração Interna, vai perdendo o controlo do Governo”.

Posição de Marcelo Rebelo de Sousa

Em declarações aos jornalistas, o Presidente da República explicou que foi a própria ministra a manifestar ao primeiro-ministro a vontade de abandonar o cargo, tendo Luís Montenegro transmitido essa intenção a Belém.

“A ministra transmitiu essa vontade ao senhor primeiro-ministro, o senhor primeiro-ministro transmitiu ao Presidente da República e eu aceitei esse pedido de demissão”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Chefe de Estado reconheceu que o momento é “complexo”, tendo em conta a situação vivida no país após as tempestades, mas frisou que “perante isto há que respeitar a vontade da senhora ministra”.

Também o ex-candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo considerou que a decisão foi acertada, defendendo que Maria Lúcia Amaral “fez bem, porque protege o Governo”, dando-lhe “hipótese de se reformular numa área que é essencial, principalmente fruto dos acontecimentos mais recentes”.

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