Morre a antropóloga Maria Paula Meneses, referência intelectual em Moçambique e Portugal

Maria Paula Meneses, antropóloga moçambicana e investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES), faleceu no domingo, após uma “grande luta contra um cancro pancreático”, anunciou a filha, Sofia Meneses Cassimo. A investigadora tinha 62 anos e morreu no IPO de Coimbra, cidade onde residia.

Para a família, Maria Paula Meneses “cumpriu com grandiosidade a sua missão”, sentimento partilhado por várias personalidades em Portugal e Moçambique. O velório e funeral terão lugar em Coimbra, no Crematório Municipal.

Escritores e académicos destacaram o impacto da antropóloga. Boa Monjane, escritor moçambicano, descreveu-a como uma das “maiores referências intelectuais” de Moçambique, enquanto o cientista político brasileiro Leonardo Avritzer salientou o seu “conhecimento amplíssimo sobre processos sociais em África” e a crítica à superioridade epistémica ocidental nas ciências sociais.

Nascida em 8 de abril de 1963, em Maputo, Maria Paula Meneses doutorou-se em antropologia pela Universidade de Rutgers, nos EUA, e foi mestre em História pela Universidade de São Petersburgo, na Rússia. Foi investigadora visitante na Universidade Paris 8, França, em 2022, e manteve estreita colaboração com a Universidade Eduardo Mondlane e a Universidade Pedagógica em Maputo.

No CES, integrava a linha de investigação “Europa e o Sul global: patrimónios e diálogos” e co-coordenava o curso internacional “Epistemologias do Sul”. A sua investigação centrou-se nos debates pós-coloniais em África, pluralismo jurídico, história oficial e memórias diversas, com publicações em diversos países, incluindo Moçambique, Portugal, Brasil, Espanha e Estados Unidos.

O legado de Maria Paula Meneses é lembrado como uma contribuição essencial para as ciências sociais africanas e para o diálogo académico internacional.

0