O presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Carlos Lopes, lançou hoje um apelo desesperado ao Governo, pedindo socorro e a declaração de estado de calamidade no concelho, afetado de forma severa pelo mau tempo causado pela depressão Kristin.
Em declarações à Lusa a partir do telefone satélite dos bombeiros, Lopes alertou que “não temos comunicações. Nenhuma rede móvel funciona nesta terra. Estamos completamente isolados do resto do distrito, da região e do país”. O autarca acrescentou que a situação é “completamente desesperada” e que o concelho enfrenta “um rasto de destruição por todo o território”.
O temporal provocou a queda de árvores, muros e sinalização, destruição de infraestruturas e centenas de coberturas de habitações, deixando muitas famílias expostas e com necessidade de realojamento. Segundo Lopes, a água disponível nas freguesias é suficiente apenas para cerca de 12 horas e existem grandes dificuldades na manutenção dos lares de idosos.
“Precisamos muito da solidariedade do Governo e das entidades públicas para dar uma resposta à população que está a viver, em poucos anos, a segunda maior tragédia das últimas décadas”, sublinhou, numa referência aos incêndios de Pedrógão Grande, em junho de 2017, que também atingiram o concelho.
A depressão Kristin provocou cinco mortos, vários desalojados e deixou os distritos de Leiria, Coimbra, Santarém e Lisboa com fortes estragos. Entre os impactos registam-se cortes de energia, água e comunicações, encerramento de escolas, condicionamento de estradas e interrupções nos transportes, incluindo linhas ferroviárias.

