O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) de Moçambique afirmou que a investigação à morte do cidadão português Pedro Ferraz Correia dos Reis, administrador do banco moçambicano BCI, ainda não foi encerrada e que continuam a decorrer diligências para o apuramento dos factos.
Em declarações à agência Lusa, o porta-voz do Sernic, Hilário Lole, esclareceu que as autoridades nunca comunicaram o encerramento do processo. Segundo explicou, o relatório médico-legal e as provas recolhidas no local apontam para suicídio, mas subsistem questões que carecem de investigação adicional. “Pode ter sido suicídio, mas esse suicídio pode ter sido provocado”, referiu, sublinhando a necessidade de aprofundar essa possibilidade.
Na terça-feira, o Sernic anunciou que Pedro Ferraz Correia dos Reis, de 56 anos, morreu por suicídio numa unidade hoteleira de luxo no centro de Maputo, contrariando a versão inicial avançada pela Polícia da República de Moçambique (PRM), que apontava para homicídio.
De acordo com a polícia de investigação moçambicana, o gestor português, administrador do BCI — banco que é subsidiária em Moçambique e integra participações da Caixa Geral de Depósitos e do BPI — terá tirado a própria vida na casa de banho do hotel, recorrendo a instrumentos cortantes, nomeadamente facas, e à ingestão de veneno para ratos. O Sernic apresentou ainda imagens de videovigilância que mostram o cidadão português a adquirir os referidos instrumentos e a substância tóxica.
Anteriormente, a porta-voz da PRM em Maputo, Marta Pereira, tinha indicado que a morte resultava de um homicídio, afirmando que o caso estava a ser investigado com base nas imagens de videovigilância do hotel. Na altura, confirmou que o crime ocorreu pelas 23h46 de segunda-feira e classificou-o como “homicídio voluntário”.
A morte de Pedro Ferraz Correia dos Reis causou consternação nas comunidades portuguesa e moçambicana. A Embaixada de Portugal em Maputo apresentou condolências à família, amigos e colegas, manifestando solidariedade com a comunidade portuguesa residente no país.
Entretanto, uma petição ‘online’, com mais de 5.000 assinaturas, questiona a coerência das explicações avançadas pelas autoridades moçambicanas, criticando a rapidez com que a tese passou de homicídio para suicídio. O documento, dirigido ao presidente da Assembleia da República e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, apela à intervenção do Estado português para o apuramento da verdade e para salvaguardar a memória do gestor.
Segundo informações do Sernic, Pedro Correia dos Reis saiu do local de trabalho pelas 14h00 de segunda-feira, dirigiu-se a casa, onde terá recolhido uma faca, deslocando-se depois a um estabelecimento comercial para adquirir mais duas facas e, posteriormente, a outro local para comprar veneno para ratos. O exame médico-legal detetou vestígios dessa substância no organismo da vítima.

