Portugal encontra-se numa área geologicamente instável, junto à fronteira das placas Euro-asiática e Africana, o que o torna suscetível a sismos de grande magnitude e a tsunamis. Embora a maioria dos tremores seja ligeira, regiões como o Banco de Gorringe ou a falha Açores-Gibraltar podem gerar eventos catastróficos.
Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o Algarve é a zona mais vulnerável, com cidades como Faro, Portimão, Lagos e Albufeira podendo ser atingidas em apenas 20 a 30 minutos após um sismo submarino. A Figueira da Foz, Peniche, Nazaré e a Área Metropolitana de Lisboa — incluindo Oeiras, Almada, Seixal, Barreiro e Cascais — também estão em risco, podendo a primeira onda chegar entre 30 a 45 minutos. O estuário do Tejo e zonas baixas como Setúbal e a Península de Troia são particularmente vulneráveis devido à sua morfologia.
Nos Açores, as ilhas de São Miguel e Santa Maria estão mais expostas devido à atividade sísmica intensa. Na Madeira, localidades como Funchal, Câmara de Lobos e Ponta do Sol podem ser afetadas por deslizamentos submarinos que geram tsunamis localizados.
Desde 2017, o Centro de Alerta para Tsunamis (CAT-IPMA) integra o sistema internacional NEAMTWS da UNESCO, monitorizando continuamente o fundo do oceano e a atividade sísmica. Contudo, em muitas zonas costeiras, o tempo entre um sismo e a chegada do tsunami é inferior a 40 minutos, tornando crucial a preparação da população.
O que fazer se sentir um sismo próximo da costa:
- Afaste-se imediatamente da costa e suba para zonas elevadas ou pisos superiores de edifícios sólidos.
- Não regresse ao local até indicação das autoridades, pois podem ocorrer ondas secundárias.
- Siga sempre as rotas de evacuação e mantenha-se calmo, ouvindo apenas informações oficiais da Proteção Civil ou Capitanias.
O terramoto e tsunami de 1755 em Lisboa lembram que eventos deste tipo podem repetir-se. A preparação através de planos municipais, simulacros e treino da população costeira é hoje a melhor forma de reduzir riscos.

