Parque Ambiental de Águeda assume-se como projeto estruturante para adaptação climática e reconexão urbana

O futuro Parque Ambiental de Águeda foi apresentado como um dos projetos estruturantes do concelho no âmbito da estratégia de sustentabilidade associada a Águeda Cidade Verde Europeia, assumindo a paisagem como uma verdadeira infraestrutura estratégica para responder aos desafios climáticos, ambientais e urbanos.

A apresentação esteve a cargo do arquiteto paisagista Paulo Ribeiro Dias, natural de Águeda e responsável pelo desenvolvimento do projeto, que sublinhou a forte relação histórica do território com o rio e com os episódios de cheia. A intervenção incide numa área marcada por um leito de cheia primário e extraordinário, atravessada pelo rio e pelos seus canais, uma realidade que ao longo do tempo contribuiu para a fragmentação da cidade em vários núcleos urbanos distintos.

Segundo o arquiteto, o projeto parte de uma mudança clara de paradigma: aquilo que durante décadas foi encarado como uma fragilidade passa agora a ser assumido como uma oportunidade. O leito de cheia é integrado como infraestrutura verde estratégica, capaz de responder às alterações climáticas, reduzir a fragmentação urbana e reforçar a biodiversidade, num território atualmente marcado por monoculturas que limitam a diversidade ecológica.

O Parque Ambiental de Águeda não nasce como um parque urbano convencional. Trata-se de uma resposta territorial de grande escala, assente em soluções de base natural e alinhada com as prioridades estratégicas europeias. O projeto estrutura-se em torno de três ideias fundamentais: a assunção plena do leito de cheia; a reconstrução funcional da paisagem do Vale do Vouga, através de floresta adaptada à humidade, espécies autóctones, prados extensivos e zonas húmidas permanentes e temporárias; e a transformação de um território simples numa matriz ecológica diversa, baseada na alternância entre bosque e clareira, capaz de evoluir ao longo do tempo e de se adaptar a diferentes cenários climáticos.

As zonas húmidas assumem um papel central, contribuindo para a melhoria da qualidade da água através de processos naturais de depuração, para a fixação de carbono e para o abrigo e alimentação de inúmeras espécies, em particular aves e auxiliares da agricultura. Estão ainda previstos diversos espaços de transição entre o natural e o meio urbano, como o Parque dos Miúdos, áreas de estadia informal, um labirinto, zonas de observação de aves, uma praia fluvial naturalizada e áreas de estacionamento com pavimentos permeáveis, que permitirão aumentar significativamente a capacidade de acolhimento sem comprometer o equilíbrio ambiental.

O projeto prevê a criação de um corredor verde estruturante, capaz de reconectar as margens do rio, articular áreas urbanas e periurbanas e integrar redes pedonais, cicláveis e ecológicas. Num território que já é um hotspot cultural, com crescente afluência de pessoas e veículos, o parque não elimina a pressão, mas contribui para a sua melhor distribuição, promovendo uma cidade mais equilibrada, respirável e preparada para o futuro.

Na síntese apresentada, o Parque Ambiental de Águeda foi descrito como uma resposta concreta às alterações climáticas, uma infraestrutura verde de escala territorial, um regulador ecológico, um sistema de fixação de carbono e um exemplo de soluções de base natural. Acima de tudo, representa uma mudança de visão: uma cidade que deixa de lutar contra a sua geografia e passa a construir o futuro a partir dela.

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