Morre Eva Schloss, sobrevivente de Auschwitz e meia-irmã de Anne Frank, aos 96 anos

Eva Schloss, uma das últimas testemunhas vivas do Holocausto e meia-irmã de Anne Frank, morreu no último sábado (3), em Londres, aos 96 anos. O anúncio foi feito pelo Anne Frank Trust UK, organização da qual Eva era cofundadora e presidente honorária. Ao longo de mais de quatro décadas, ela dedicou-se à educação sobre o Holocausto, transmitindo sua história a estudantes, comunidades e líderes globais.

Nascida Eva Geiringer, em maio de 1929, em Viena, Austria, era criança quando sua família fugiu da perseguição nazista, primeiro para a Bélgica e depois para Amsterdã, vivendo em frente à casa em que a família de Anne Frank se esconderia pouco depois. Ambas tinham idades semelhantes e compartilharam destinos trágicos: foram capturadas e deportadas para Auschwitz-Birkenau em maio de 1944. No campo, Eva e sua mãe sobreviveram, enquanto seu pai e irmão morreram nas marchas forçadas. Anne Frank morreu em 1945, no campo de Bergen-Belsen.

Após a guerra, Eva retornou a Amsterdã e sua mãe casou-se com Otto Frank, tornando-a parte da família Frank. Mais tarde, Eva mudou-se para Londres, onde formou sua própria família com Zvi Schloss e tornou-se uma ativista incansável. Em 1990, cofundou a Anne Frank Trust UK, dedicada a educar jovens sobre os horrores do Holocausto, o perigo do ódio e da intolerância.

Schloss também publicou livros, incluindo Eva’s Story, After Auschwitz e The Promise, nos quais narrou memórias e reflexões sobre identidade, perda e resistência. Recebeu reconhecimento internacional, como a nomeação como MBE (Member of the Order of the British Empire) e a restituição da cidadania austríaca em 2021.

A sua morte foi lamentada por líderes e instituições, incluindo o rei Charles III e a rainha Camilla, que destacaram seu legado de coragem, amor e resiliência. Eva Schloss deixa três filhas, netos e bisnetos, além de um impacto duradouro na preservação da memória do Holocausto e no combate ao antissemitismo.

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