Renee Nicole Good, de 37 anos, morreu depois de ter sido baleada na cabeça por um agente dos serviços de imigração norte-americanos (ICE, na sigla em inglês), na quarta-feira, em Minneapolis, no estado do Minnesota, nos Estados Unidos.
A vítima era mãe de três filhos e tinha-se mudado recentemente para aquela cidade. Era poetisa premiada e guitarrista amadora. A mãe, Donna Granger, descreveu-a como “uma das pessoas mais gentis” que conheceu, sublinhando que a filha era “extremamente compassiva”.
“Cuidou das pessoas toda a vida. Era amorosa, compreensiva e carinhosa. Era um ser humano incrível”, afirmou ao jornal The Minnesota Star Tribune.
Segundo Donna Granger, a família foi informada da morte ao final da manhã de quarta-feira. Sobre o sucedido, classificou o episódio como “uma grande estupidez”, referindo que a filha deveria estar “apavorada” no momento do tiroteio. Garantiu ainda que Renee “não tinha absolutamente nada a ver” com os manifestantes que confrontavam agentes do ICE naquela manhã.
Em 2020, enquanto estudava Escrita Criativa na Old Dominion University, em Norfolk, Renee Nicole Good recebeu um prémio de poesia para estudantes pelo poema On Learning Fetal Pigs. Na altura, era conhecida como Renee Macklin e constava na biografia do Departamento de Inglês como natural de Colorado Springs. Apresentava também um podcast com o marido, Tim Macklin, que morreu em 2023.

“Quando não está a escrever, ler ou a falar sobre escrita, faz maratonas de filmes e cria arte com os filhos”, lia-se na biografia, citada pela imprensa norte-americana. Renee era licenciada em Inglês pela Faculdade de Artes e Letras.
O tiroteio ocorreu a poucos quarteirões da residência da vítima, a cerca de um quilómetro do local onde, em 2020, George Floyd foi morto por um polícia, um episódio que desencadeou protestos em vários pontos do mundo.
O que aconteceu
Segundo as autoridades, a mulher morreu depois de ter sido baleada por um agente do ICE durante uma operação em Minneapolis. Enquanto o presidente norte-americano e autoridades federais defenderam que o agente atuou em legítima defesa, o autarca da cidade classificou o disparo como “imprudente”.
Vídeos gravados por transeuntes e divulgados nas redes sociais mostram um agente a aproximar-se de um SUV parado no meio da estrada, exigindo que a condutora abrisse a porta. O veículo inicia a marcha e um segundo agente, colocado à frente, dispara pelo menos duas vezes à queima-roupa, recuando à medida que o SUV avança na sua direção.
Não é percetível, nas imagens, se a condutora chegou a falar com os agentes. O veículo acabou por embater em carros estacionados junto ao passeio, antes de parar subitamente. Testemunhas reagiram com gritos e expressões de choque perante a cena.
