Mira acolhe apresentação nacional do projeto BioComp 3.0 que transforma jacintos-de-água em fertilizante

O concelho de Mira foi palco da apresentação nacional dos resultados do projeto de investigação BioComp 3.0, uma iniciativa que demonstrou ser possível valorizar a biomassa de jacintos-de-água — uma das plantas aquáticas invasoras mais problemáticas em Portugal — através da sua transformação em fertilizante orgânico.

A sessão, subordinada ao tema “Soluções Circulares para a Gestão de Biomassa”, reuniu representantes das 13 entidades que integram o consórcio do projeto, entre instituições de ensino superior, centros de investigação, empresas, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC).

Desenvolvido ao longo de dois anos e meio, o BioComp 3.0 teve como principal objetivo encontrar soluções sustentáveis para o destino da grande quantidade de biomassa resultante da remoção do jacinto-de-água de rios e lagoas. Segundo Manuel Rodrigues, coordenador do projeto e especialista do Instituto Politécnico de Bragança, a investigação procurou ir além do combate direto à invasão, focando-se sobretudo na valorização do material recolhido.

Os trabalhos permitiram testar diferentes combinações de compostagem, tendo sido identificadas duas soluções com resultados promissores: a mistura de jacinto-de-água com estilha florestal e a combinação de jacinto-de-água, estilha florestal e estrume de cavalo. Estes compostos foram já aplicados em várias culturas agrícolas, apresentando resultados encorajadores, embora a sua futura utilização e eventual comercialização dependam de enquadramento legal e de autorizações específicas, devido à natureza da planta invasora.

Durante o encontro foi igualmente destacado o papel da CIM Região de Coimbra, que tem mantido uma intervenção contínua no combate aos jacintos-de-água e na produção de conhecimento técnico nesta área. O secretário-executivo da CIM-RC, Jorge Brito, considerou que a solução apresentada representa “um passivo transformado em ativo”, defendendo uma abordagem integrada ao longo de toda a linha de água e a criação de um campo de testes supervisionado pelas autoridades ambientais.

O presidente da Câmara Municipal de Mira, Artur Fresco, sublinhou que as conclusões do BioComp 3.0 permitem transformar “um problema numa oportunidade de negócio”, criando valor económico a partir de um resíduo. O autarca alertou, no entanto, para o esforço financeiro suportado pelos municípios no combate a esta invasora, referindo que são frequentemente obrigados a substituir-se às autoridades ambientais, sem o devido ressarcimento.

Artur Fresco destacou ainda a importância estratégica dos planos de água do concelho, em particular a Barrinha da Praia de Mira, cuja manutenção é essencial para as atividades náuticas, desportivas e de lazer, bem como para a identidade e a economia local.

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