Dez dos 17 detidos por exploração de imigrantes no Alentejo libertados

Dez dos 17 detidos na operação “Safra Justa”, da Polícia Judiciária (PJ), por suspeitas de exploração de imigrantes no Alentejo, saíram em liberdade após serem ouvidos no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa. Os restantes sete irão conhecer as medidas de coação no sábado, com o Ministério Público a requerer prisão preventiva para alguns.

Segundo o advogado Frederico Miguel Alves, entre os arguidos sujeitos a prisão preventiva estão um militar da GNR, um elemento da PSP e outros civis. Os dez libertados ficaram sujeitos a Termo de Identidade e Residência (TIR).

A investigação da PJ revelou que a organização criminosa controlava cerca de 500 trabalhadores estrangeiros, na sua maioria em situação irregular, explorando a sua vulnerabilidade para obter vantagens económicas. Os imigrantes recebiam remunerações inferiores às praticadas no mercado, e valores eram deduzidos de forma arbitrária para despesas de alojamento, transporte, água, eletricidade e documentação. Alguns elementos das forças de segurança vigiavam e ameaçavam os trabalhadores em troca de compensações económicas.

No total, a operação envolveu 17 detidos — 11 elementos de forças de segurança, incluindo 10 militares da GNR e um agente da PSP, e seis civis, entre os 26 e os 60 anos. A PJ cumpriu cerca de 50 mandados de busca em Beja, Portalegre, Figueira da Foz e Porto.

Os factos investigados podem configurar crimes de auxílio à imigração ilegal, tráfico de pessoas, corrupção ativa e passiva, abuso de poder, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

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