Dez militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) e um agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) foram detidos esta terça-feira durante a operação Safra Justa, conduzida pela Polícia Judiciária (PJ), por alegadamente explorarem e escravizarem imigrantes, na sua maioria em situação irregular.
A operação cumpriu cerca de 50 mandados de busca e 17 mandados de detenção em Beja, Portalegre, Figueira da Foz e Porto, visando uma rede criminosa que controlava centenas de trabalhadores estrangeiros através de empresas de trabalho temporário criadas propositadamente. Segundo a PJ, os imigrantes eram explorados, obrigados a pagar por alojamento e alimentação e mantidos sob coação, incluindo ameaças e episódios de agressão física.
Os militares detidos são suspeitos de facilitar a ação da organização, funcionando, durante as horas vagas, como capatazes, supervisionando o trabalho dos estrangeiros. Estes viviam em condições precárias, com rendimentos reduzidos e sob constante vigilância.

Os detidos estão indiciados por auxílio à imigração ilegal, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais, relativos aos lucros ilícitos obtidos através do trabalho forçado.
A investigação, que decorre há vários meses, permitiu à PJ recolher indícios e elementos incriminatórios sobre o funcionamento da rede, descrita como de estilo mafioso e violento. A operação foi liderada pela Unidade de Contraterrorismo da PJ, com apoio de outros departamentos e da própria GNR.
Os detidos vão ser apresentados ao Ministério Público para formalização das medidas de coação.
