A vice-presidente do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), Eulália Ramos Alexandre, encontra-se de férias durante o processo de digitalização dos exames nacionais do ensino secundário, numa fase marcada por falhas técnicas e atrasos que têm gerado preocupação entre professores e alunos.
A informação foi avançada pela SIC Notícias, que refere que, apesar do alargamento do prazo de classificação até esta quarta-feira, continuam a existir docentes a serem contactados para prosseguir a correção das provas até quinta-feira. Esta situação levanta dúvidas quanto ao cumprimento do calendário previsto para a divulgação das notas, agendada para sexta-feira, 17 de julho.
O Ministério da Educação, Ciência e Inovação anunciou na terça-feira o prolongamento do prazo de classificação por mais 24 horas, garantindo, no entanto, que a data de afixação dos resultados se mantém inalterada. Em comunicado, o ministério indicou que, às 18h30 desse dia, cerca de 98% das respostas já estavam classificadas.
Segundo a tutela, as respostas ainda por corrigir devem-se sobretudo a novas digitalizações após deteção de falhas, reavaliações de itens e atrasos na entrega das provas por parte de algumas escolas. Estas irregularidades foram identificadas durante o processo de validação do sistema, que visa assegurar a correspondência entre as respostas em papel e os conteúdos disponibilizados aos classificadores.

Este ano marca a estreia da correção digital dos exames nacionais do ensino secundário, uma mudança justificada pelo ministério com a necessidade de reforçar a transparência e a confiança no sistema de avaliação externa. Após a publicação das pautas, os alunos poderão aceder às suas provas em formato digital através das escolas, garantindo-se o anonimato até esse momento.
Contudo, o processo tem sido alvo de críticas. O movimento Missão Escola Pública revelou que, a poucas horas do fim do prazo inicial, ainda havia professores à espera de itens para classificação. Já a Federação Nacional da Educação (FNE) alertou para possíveis consequências desta nova metodologia, nomeadamente o aumento de pedidos de reapreciação.
De acordo com a FNE, o facto de os professores corrigirem apenas partes das provas, em vez de avaliarem o exame na íntegra, impede uma visão global do desempenho dos alunos. Esta alteração pode influenciar a perceção de justiça na classificação e motivar mais pedidos de revisão das notas.
A federação defende ainda o pagamento de horas extraordinárias aos docentes envolvidos no processo, sublinhando que se trata de uma obrigação legal e não de um reconhecimento excecional.
