A morte violenta de um tubarão no porto de Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, continua a gerar forte indignação e já levou à apresentação de pelo menos uma denúncia no Ministério Público.
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O animal foi espancado até à morte na semana passada, num episódio que foi filmado e partilhado nas redes sociais, provocando reações de repúdio por parte de entidades ligadas à conservação marinha e autoridades regionais.
Segundo especialistas contactados pelo projeto Elasmobase, o tubarão em causa não seria das espécies inicialmente avançadas, como o mako ou o anequim, mas sim um Odontaspis ferox, uma espécie rara e pouco estudada nos Açores.
De acordo com a bióloga marinha Beatriz Silva, esta espécie é considerada “demersal rara”, associada a águas profundas, com apenas 18 registos documentados no arquipélago entre 1991 e 2018, maioritariamente resultantes de capturas acidentais.
A especialista sublinha que se trata de uma espécie classificada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), com baixa taxa reprodutiva e crescimento lento, o que a torna especialmente sensível a impactos humanos.
Em termos legais, os tubarões deste género estão protegidos pela legislação europeia e nacional, sendo proibida a sua captura intencional e obrigatória a sua devolução ao mar em caso de captura acidental.
“Não é o inimigo”
A investigadora alerta ainda para a necessidade de mudar a perceção pública sobre estes animais, defendendo que episódios como o ocorrido em Rabo de Peixe refletem desconhecimento e medo injustificado.
“Um tubarão não é um inimigo, é uma peça funcional do oceano”, sublinha, acrescentando que estes predadores desempenham um papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas marinhos.
Nos Açores, onde existe elevada diversidade de tubarões e raias, especialistas defendem que a convivência com estas espécies exige educação ambiental, protocolos de atuação nos portos e maior sensibilização junto de pescadores e comunidades costeiras.
Investigação em curso
O caso está a ser investigado pelas autoridades, com o diretor regional de Políticas Marítimas a confirmar tratar-se de uma situação com enquadramento criminal. A organização ANIMAL também apresentou participação ao Ministério Público.
Especialistas alertam ainda que a redução destas espécies pode provocar desequilíbrios ecológicos com impacto direto nas cadeias alimentares e, indiretamente, na própria atividade pesqueira.
O episódio reacende o debate sobre a proteção de espécies marinhas nos Açores e a necessidade de reforçar medidas de conservação e educação ambiental no arquipélago.

