O concelho da Sertã registou 972 candidaturas aos apoios destinados à recuperação de habitações permanentes afetadas pela tempestade Kristin, sendo o sexto concelho do país com maior número de candidaturas submetidas, um dado que reflete a dimensão dos prejuízos provocados pelo fenómeno meteorológico no território e que levou o Município a assegurar, até ao momento, o pagamento de mais de dois milhões de euros, correspondentes a 541 candidaturas, permitindo apoiar centenas de famílias na recuperação dos danos nas suas casas.
No âmbito deste processo, o Município da Sertã tem assegurado o acompanhamento e a articulação necessários para a concretização dos apoios, tendo já remetido à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro) para pagamento mais de 95% das candidaturas submetidas, o que significa que a grande maioria dos processos já ultrapassou a fase de análise e instrução local e está em vias de ser liquidada, embora o pagamento efetivo dependa dos fluxos financeiros e da capacidade de execução da CCDR. Os mais de dois milhões de euros já pagos representam, assim, uma fatia significativa do total que será necessário para cobrir todas as candidaturas aprovadas, mas ainda há um caminho a percorrer até que todas as 972 famílias que se candidataram vejam os seus processos concluídos.
O facto de a Sertã ser o sexto concelho do país com mais candidaturas submetidas coloca-o numa posição de destaque negativo no mapa dos estragos provocados pela tempestade Kristin, mas também evidencia a capacidade de mobilização das populações e da autarquia para aceder aos mecanismos de apoio criados pelo Estado e pelas regiões, que visam precisamente mitigar o impacto de catástrofes naturais sobre as habitações das famílias. Os danos provocados por tempestades como a Kristin — que afetou sobretudo a região Centro, com ventos fortes, chuvas intensas e inundações — variaram desde telhados arrancados e janelas destruídas até infiltrações graves, danos em estruturas e, em alguns casos, destruição parcial ou total de edifícios, o que obrigou muitas famílias a fazer reparações urgentes e dispendiosas.
Carlos Miranda, presidente da Câmara Municipal da Sertã, sublinha que “os números demonstram a dimensão dos prejuízos provocados pela tempestade Kristin no nosso concelho e a importância dos apoios para as famílias afetadas”, acrescentando que “o Município da Sertã continuará a acompanhar estes processos, em articulação com as entidades competentes, procurando assegurar a melhor resposta possível às necessidades da população”. Estas declarações refletem a consciência de que, embora os apoios financeiros sejam fundamentais, o processo de recuperação não se esgota no pagamento das candidaturas: muitas famílias precisam de apoio técnico para gerir as obras, de prazos alargados para concluir as reparações e, em alguns casos, de soluções temporárias de habitação enquanto as suas casas não estão novamente em condições.
O modelo de apoio implementado — com as câmaras a receber e instruir as candidaturas e a CCDR a validar e efetuar os pagamentos — tem permitido uma gestão mais próxima das necessidades locais, já que os municípios são, em teoria, os que melhor conhecem a realidade do seu território e das famílias afetadas. No caso da Sertã, a taxa de submissão de mais de 95% das candidaturas à CCDR indica que a autarquia conseguiu processar a maior parte dos pedidos com relativa celeridade, o que é particularmente importante num contexto em que muitas famílias estão a viver com as suas habitações danificadas há vários meses, desde a passagem da tempestade.
Os mais de dois milhões de euros já pagos, correspondentes a 541 candidaturas, traduzem-se num apoio médio de cerca de 3.700 euros por candidatura paga, embora os valores individuais variem em função da gravidade dos danos e das necessidades de cada habitação. Para muitas famílias, este montante é decisivo para conseguir avançar com reparações que, de outra forma, não teriam capacidade financeira para realizar, especialmente num contexto de inflação e de aumento dos custos dos materiais e da mão de obra na construção.
Com a maioria das candidaturas já remetida à CCDR, o desafio passa agora por garantir que os pagamentos restantes são efetuados com a maior brevidade possível, de modo a que todas as famílias afetadas possam concluir as reparações nas suas habitações e retomar a normalidade. O Município da Sertã, ao afirmar que continuará a acompanhar estes processos, assume um papel de intermediário entre as populações e as entidades regionais e nacionais, pressionando para que não haja atrasos desnecessários e para que eventuais problemas ou indeferimentos sejam resolvidos de forma justa e célere.
A tempestade Kristin deixou, assim, uma marca profunda no concelho da Sertã, não apenas em termos de danos materiais, mas também na forma como o território se organizou para responder à catástrofe, com a autarquia a assumir um papel central na articulação dos apoios e as famílias a demonstrar resiliência na reconstrução das suas casas. Os mais de dois milhões de euros já pagos são um primeiro passo importante nesse processo de recuperação, mas o caminho até à reconstrução total do que foi danificado ainda está em curso.

