O concelho de Seia homenageou, esta sexta-feira, 14 de agosto, António de Almeida Santos, assinalando o centenário do seu nascimento com um programa evocativo que passou por Seia, Cabeça e Vide, três locais profundamente associados à vida e às raízes de uma das figuras de referência da democracia portuguesa.
A homenagem começou durante a manhã, na cidade de Seia, com a atribuição do nome “Dr. António de Almeida Santos” ao arruamento que liga a Rotunda do Centro Escolar à confluência da Rua Gaspar Rebelo com a Rua Dr. Abel E. Mota Veiga.
A cerimónia contou com a presença dos filhos de Almeida Santos e ficou marcada pelo descerramento da placa toponímica, através da qual o Município pretende inscrever de forma permanente o nome do antigo presidente da Assembleia da República no espaço público da cidade.
A localização escolhida assume também um significado particular. O novo arruamento encontra-se numa área de expansão urbana e estabelece a ligação entre dois importantes estabelecimentos de ensino: o Centro Escolar e a Escola Básica Dr. Abranches Ferrão. A associação do nome de Almeida Santos a um espaço frequentado pelas novas gerações pretende, assim, estabelecer uma ligação entre a memória do estadista e o futuro do concelho.
Durante a cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, destacou precisamente essa dimensão simbólica e a importância de preservar a memória de um senense que desempenhou um papel determinante na construção e consolidação da democracia portuguesa.
O autarca recordou a defesa da democracia como uma das grandes causas que marcaram o percurso de Almeida Santos e salientou o significado de perpetuar o seu nome num espaço da cidade diretamente relacionado com a educação, as novas gerações e o desenvolvimento de Seia.

Das raízes serranas à vida política nacional
António de Almeida Santos nasceu em Cabeça, no concelho de Seia, a 15 de fevereiro de 1926, e viveu parte da juventude em Vide. Advogado, jurista, escritor e estadista, construiu um percurso que o colocaria entre os protagonistas da história política portuguesa após o 25 de Abril.
Depois da Revolução de 1974 regressou a Portugal, assumindo responsabilidades em vários Governos. Décadas mais tarde, entre 1995 e 2002, presidiu à Assembleia da República, permanecendo o seu nome associado ao processo de consolidação das instituições democráticas portuguesas.
A homenagem realizada no centenário do nascimento procurou, por isso, recordar não apenas a dimensão nacional do seu percurso, mas também a ligação que Almeida Santos manteve às suas origens no concelho de Seia.
Depois da cerimónia na sede do concelho, as comemorações prosseguiram em Cabeça, terra natal do homenageado, onde foi inaugurado o Largo Dr. António de Almeida Santos, perpetuando igualmente no espaço público a ligação às suas origens.
O programa deslocou-se posteriormente para Vide, localidade onde Almeida Santos passou parte da juventude. A homenagem incluiu o descerramento de uma placa comemorativa e a abertura de uma exposição fotográfica dedicada à sua vida e percurso.
As comemorações ficaram ainda marcadas por um almoço-convívio e por um momento musical, encerrando um programa que percorreu diferentes lugares da memória pessoal e familiar do antigo estadista.
Cem anos depois do nascimento de António de Almeida Santos, Seia procurou, desta forma, unir as suas raízes serranas à dimensão nacional do seu percurso, perpetuando a memória de um dos protagonistas da história contemporânea portuguesa e o contributo que deixou para a democracia, a liberdade e o Estado de Direito.

