A Rússia testou esta sexta-feira o lançamento de um míssil balístico intercontinental, no mesmo dia em que o Kremlin reconheceu que as negociações de paz com a Ucrânia estão atualmente “completamente paradas”.
O míssil, de combustível sólido, foi lançado a partir do Cosmódromo de Plesetsk, no noroeste da Rússia, e atingiu o alvo no campo de testes de Kura, na península de Kamchatka, depois de percorrer cerca de seis mil quilómetros.
Segundo o Ministério da Defesa russo, o teste teve como objetivo verificar as características técnicas, táticas e de voo do míssil. Moscovo informou os Estados Unidos do lançamento com mais de 24 horas de antecedência.
O teste acontece num contexto de crescente tensão entre a Rússia, a Ucrânia e os países da NATO. O Presidente russo, Vladimir Putin, tem defendido o reforço das capacidades estratégicas nucleares do país, incluindo com bombardeiros Tu-160M e mísseis balísticos intercontinentais RS-24 Yars.
De acordo com a Bloomberg, o Kremlin pretende também intensificar os ataques contra o território ucraniano com recurso a mísseis balísticos convencionais.
Entretanto, o diretor da CIA, John Ratcliffe, deslocou-se na terça-feira a Moscovo, numa visita que, segundo o The Wall Street Journal e a CBS, terá incluído um alerta sobre uma eventual ação de provocação russa contra um país da NATO.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou a deslocação, mas classificou-a como uma visita “quase de rotina”, embora tenha admitido que estaria relacionada com a guerra na Ucrânia.
A Rússia negou, por sua vez, ter planos para atacar qualquer país membro da NATO, acusando os aliados europeus de Kiev de adotarem uma política agressiva contra Moscovo.
O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, afirmou não acreditar que Putin pretenda atacar a NATO, embora tenha defendido que as ações russas não devem ser subestimadas, nomeadamente no domínio dos ataques cibernéticos.

Negociações de paz estão “completamente paradas”
No mesmo dia, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que o processo de negociações promovido pelos Estados Unidos com a Ucrânia está “completamente parado” e sem novas ideias para alcançar uma solução para o conflito.
“Este assunto está atualmente suspenso. Não há novas ideias”, declarou Peskov numa conferência de imprensa em Moscovo.
O porta-voz afirmou ainda que a Rússia mantém várias condições para o fim da guerra e acusou a liderança ucraniana de rejeitar a discussão dessas exigências por via diplomática.
Peskov destacou também aquilo que classificou como avanços russos no campo de batalha e afirmou que as forças de Moscovo estão a destruir o complexo militar-industrial ucraniano.
Entretanto, a coligação da boa vontade para a Ucrânia, composta por cerca de 30 países, maioritariamente europeus, comprometeu-se a reforçar urgentemente as defesas aéreas ucranianas.
Os parceiros de Kiev anunciaram ainda o reforço do apoio militar, da cooperação com a indústria de defesa ucraniana e da partilha de tecnologias.
O Reino Unido anunciou igualmente que a empresa de defesa MBDA irá partilhar com a Ucrânia os elementos necessários para permitir a produção nacional de mísseis de longo alcance Storm Shadow, sistemas que Londres já fornece às forças ucranianas.
A iniciativa foi criticada pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, que acusou Londres de manter uma “postura agressiva” perante Moscovo e alertou para uma possível intensificação do conflito.
