Ruínas Romanas de Bobadela atingem 50 mil visitantes e reforçam posição no turismo patrimonial

O Centro Interpretativo das Ruínas Romanas de Bobadela, no concelho de Oliveira do Hospital, alcançou a marca dos 50 mil visitantes. O número foi atingido na quinta-feira, 28 de agosto, confirmando a crescente projeção de um dos mais importantes conjuntos arqueológicos romanos da Região de Coimbra.

O património romano de Bobadela, antiga “Splendidissima Civitas”, constitui um dos principais testemunhos da presença romana neste território. O conjunto integra o Fórum, o Anfiteatro e o Arco Romano, classificados como Monumento Nacional, e corresponde aos vestígios de uma antiga cidade cuja verdadeira dimensão, organização e importância continuam a ser estudadas.

Reaberto ao público em 2018, depois de obras de requalificação, o Centro Interpretativo assumiu um papel central na divulgação deste legado. A exposição combina textos, fotografias, ilustrações, conteúdos multimédia interativos, um documentário e peças arqueológicas provenientes das escavações, permitindo aos visitantes compreender a organização e o quotidiano da antiga civitas.

Para a vereadora da Cultura e do Turismo da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, Luísa Correia, chegar aos 50 mil visitantes representa um momento importante na afirmação do equipamento enquanto espaço cultural e destino de turismo patrimonial.

“Bobadela representa um património de enorme importância, cuja relevância ultrapassa claramente a dimensão local”, refere a autarca, salientando o seu valor histórico, arqueológico e científico.

A marca agora alcançada, porém, não é encarada como um ponto de chegada. O Município pretende aumentar a capacidade de atração de Bobadela e utilizar este património como porta de entrada para a descoberta de outros locais históricos e culturais de Oliveira do Hospital.

“Queremos continuar a trazer pessoas a Bobadela, continuar a valorizar este património, continuar a descobrir e a dar a conhecer a história desta antiga cidade romana”, afirma Luísa Correia.

A importância das ruínas vai, contudo, muito além da vertente turística. Apesar de décadas de investigação, permanecem questões por esclarecer sobre a dimensão da cidade romana, a sua organização global, a evolução do território e a existência de outros vestígios arqueológicos.

“A Bobadela não é uma história encerrada. Pelo contrário, continua a colocar perguntas e a permitir novas descobertas”, sustenta a vereadora.

Esta componente científica está igualmente relacionada com o reforço da proteção do sítio. Desde 2024 encontra-se em curso um novo procedimento destinado à ampliação da classificação das Ruínas Romanas de Bobadela, procurando adaptar a área protegida ao conhecimento entretanto adquirido sobre a antiga cidade.

O Município de Oliveira do Hospital tem também realizado investimentos na valorização do conjunto monumental. Em 2025 foi renovado o sistema de iluminação cénica do Fórum e do Anfiteatro Romano, num investimento de aproximadamente 100 mil euros. A estratégia passa agora por continuar a articular investigação científica, educação, cultura e turismo, estabelecendo também ligações com outros monumentos nacionais do concelho, entre os quais a Igreja Moçárabe de São Pedro de Lourosa e a Capela dos Ferreiros.

Luís Freire foi o visitante 50 mil

A passagem da marca dos 50 mil visitantes teve também um protagonista. Luís Freire, professor de Física no Ensino Superior, em Lisboa, foi o visitante número 50 mil.

Deslocou-se pela primeira vez a Oliveira do Hospital para participar num festival de música e aproveitou a estadia para conhecer alguns dos principais pontos turísticos do município. Além das Ruínas Romanas de Bobadela, a passagem pelo concelho incluiu Alvoco das Várzeas e Avô.

O Centro Interpretativo está aberto de terça-feira a domingo, entre as 10h00 e as 13h00 e das 14h00 às 18h00. A entrada e as visitas guiadas são gratuitas.

Com 50 mil visitantes alcançados, Bobadela reforça assim a sua projeção enquanto destino de património romano, ao mesmo tempo que mantém em aberto uma história arqueológica que poderá ainda revelar novos capítulos sobre a presença romana no atual território português.

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