Uma figura do Menino Jesus, sem traços faciais, foi roubada de um presépio na Grand Place, em Bruxelas, entre sexta-feira à noite e sábado de madrugada, após a instalação gerar intensa discussão nas redes sociais. O presépio, criado pela artista católica Victoria-Maria Geyer, apresenta todas as figuras sem olhos, nariz ou boca, com o objetivo de promover inclusão e universalidade.
O episódio tornou-se ainda mais polémico quando o político Georges-Louis Bouchez, líder do partido MR, comparou as figuras a “zombies de estação de comboios”, criticando a obra por não representar o espírito do Natal. A declaração inflamou o debate público, com milhares de comentários e partilhas nas redes sociais.
Geyer defende que a ausência de traços específicos permite que fiéis de diferentes origens se identifiquem com a história do nascimento de Cristo, e que a sua obra é apoiada pela igreja local e pela Câmara de Bruxelas.
O presépio faz parte do Mercado de Natal de Bruxelas, que atrai anualmente mais de quatro milhões de visitantes. A figura roubada já foi substituída, e a segurança foi reforçada, mas não foram implementadas medidas adicionais significativas.
O episódio reacendeu o debate sobre liberdade artística versus tradições religiosas, com opiniões divididas entre a preservação do caráter tradicional do Natal e a promoção de uma visão inclusiva da festa cristã. O Menino Jesus regressou, mas a polémica sobre o verdadeiro espírito natalício continua viva.


