A Quinta da Granja, exploração de suínos em Almoster, Santarém, alvo de denúncias de maus-tratos a animais, continua a operar, informou a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), mas está a implementar ações corretivas.
A DGAV esclareceu que “só serão determinadas medidas adicionais, que poderão incluir a redução do efetivo ou o despovoamento da exploração, se não forem asseguradas as condições exigidas”.
As denúncias surgiram após uma reportagem da RTP, no final de março, que mostrou imagens recolhidas entre janeiro e fevereiro de 2026, onde eram visíveis suínos mortos, feridos e doentes, pavilhões degradados e corredores com fezes, lama e sangue.
Em resposta, a DGAV exigiu um plano de ação imediato, que está a ser implementado pelo operador da exploração, pertencente ao ValGrupo, que aderiu ao programa de bem-estar animal da Filporc em 2023. Auditorias anuais são realizadas na quinta, sendo a última em julho de 2025. Uma nova ação inspetiva decorreu a 27 de março para avaliar a implementação das medidas.
A DGAV sublinha que as ações têm por base o bem-estar animal e que o operador foi notificado para assegurar, com urgência, o destino adequado dos animais.
Após a divulgação das imagens, a Filporc afirmou nunca ter presenciado situações semelhantes, enquanto a Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS) lamentou o estigma criado, defendendo que o setor é altamente regulado e fiscalizado. A Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes (APIC) recordou que o abate de animais em Portugal exige a aprovação prévia de um médico veterinário oficial, responsável pela inspeção sanitária.
O ValGrupo não respondeu aos pedidos de esclarecimento da Lusa até ao momento.

