Israel Paródia, reconhecido como o primeiro médico cigano formado em Portugal, iniciou oficialmente a sua atividade profissional nas urgências do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, com um exigente turno de 12 horas, realizado num domingo.
Natural de Porto de Mós e com 24 anos, o jovem médico partilhou nas redes sociais a experiência do seu primeiro dia de trabalho, descrevendo o ambiente intenso vivido no serviço de urgência. “Apesar do caos das urgências, que podem ser asfixiantes mesmo para os mais experientes, decidi numa pausa para beber café registar o momento com um sorriso no rosto”, escreveu, acompanhando a publicação com uma fotografia junto ao hospital.
Israel Paródia assume com orgulho o simbolismo do seu percurso e a responsabilidade associada. “Sinto o peso de ser um exemplo”, afirmou, sublinhando a importância de representar a comunidade cigana numa profissão historicamente pouco acessível. A decisão de seguir Medicina surgiu ainda na infância, aos quatro anos, quando questionou o pai sobre qual seria “a profissão mais nobre do mundo” e ouviu como resposta: médico.

Formado pela NOVA Medical School, em Lisboa, Israel Paródia foi bolseiro de mérito da Fundação Calouste Gulbenkian e desempenha funções como assistente pré-graduado de Anatomia e Neurociências. Tem-se destacado também como embaixador europeu da Educação Inclusiva e como voz ativa na promoção da literacia em saúde.
Recordando os anos de formação, o médico não esconde o esforço exigido pelo percurso académico, marcado por longas horas de estudo. Ainda assim, afirma entrar diariamente no hospital com motivação renovada. “Apesar de assistir na linha da frente à vulnerabilidade e sofrimento humanos, sinto-me grato e privilegiado por me ter sido entregue esta grande responsabilidade de poder ser luz naquele que é muitas vezes o momento mais sombrio da vida dos doentes e familiares”, escreveu.
O início da carreira de Israel Paródia no Hospital de Santa Maria é visto como uma conquista pessoal, mas também como um marco social, assumindo-se como exemplo de que a educação e a perseverança podem quebrar barreiras e abrir novos caminhos, tanto para a comunidade cigana como para a sociedade portuguesa em geral.
