Portugueses lançam petição exigindo justiça pelo cão Orelha, morto no Brasil

Um grupo de cidadãos em Portugal criou uma petição para exigir justiça pelo cão comunitário Orelha, morto em janeiro na Praia Brava. O documento, que já reuniu mais de 1000 assinaturas, dirige-se ao Raimundo Carreiro Silva, ao Governo brasileiro e às autoridades nacionais, federais e locais do Brasil.

A petição descreve a morte do cão como “um ato cruel que causou emoção e revolta na sociedade” e lembra que, segundo a Lei nº 9.605/98, a violência contra animais é crime no Brasil. Entre os pedidos estão a apuração rigorosa dos fatos, identificação e responsabilização dos culpados, aplicação das punições previstas em lei e adoção de medidas para prevenir novos casos de maus-tratos a animais. Os responsáveis defendem que garantir justiça por Orelha é “dar voz a todos os animais que sofrem em silêncio”.

Orelha tinha cerca de 10 anos e desapareceu a 16 de janeiro. Foi encontrado dias depois gravemente ferido num descampado e levado a um veterinário, mas morreu devido à gravidade das lesões, compatíveis com agressões propositadas. A Polícia Civil identificou quatro adolescentes como suspeitos, determinando o internamento provisório de um deles pelo crime.

O veterinário que atendeu Orelha detalhou lesões graves na cabeça, face esquerda e mandíbula, além de ataxia e bradicardia, confirmando que os ferimentos foram causados por objeto contundente ou pontapé. O mesmo grupo tentou afogar outro cão, chamado Caramelo, que sobreviveu e foi adotado por um delegado.

A investigação também envolveu três adultos, familiares dos adolescentes, indiciados por coação de testemunha. Foram apreendidos celulares e outros dispositivos eletrônicos que ajudarão a esclarecer o caso. A delegada responsável, Mardjoli Valcareggi, afirmou que o Ministério Público e o juízo da infância e juventude atuaram de forma célere para garantir o andamento das investigações.

O caso gerou repercussão internacional e reforça o debate sobre a proteção de animais e a responsabilização de responsáveis por maus-tratos.

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