As autoridades norte-americanas identificaram Cláudio Manuel Neves Valente, cidadão português de 48 anos, como o principal suspeito do homicídio do físico Nuno Loureiro, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e do ataque a tiro que provocou duas mortes e nove feridos na Universidade Brown, nos Estados Unidos. O homem foi encontrado morto na noite de quinta-feira, em New Hampshire, com um ferimento de bala autoinfligido.
Segundo a polícia de Providence, no estado de Rhode Island, Cláudio Valente terá agido sozinho. A investigação sofreu uma reviravolta decisiva quando uma pessoa próxima do suspeito se apresentou às autoridades após uma conferência de imprensa, fornecendo informações que permitiram identificar o veículo utilizado, o nome do suspeito e os seus movimentos recentes.
De acordo com o procurador-geral de Rhode Island, Peter Neronha, essa colaboração levou os investigadores até ao carro usado por Valente, que tinha uma matrícula do estado do Maine colocada sobre outra da Florida, numa tentativa de ocultar a sua identidade. O último endereço conhecido do suspeito situava-se em Miami.
As autoridades federais acreditam que Valente é responsável tanto pelo ataque ocorrido no sábado na Universidade Brown como pelo homicídio de Nuno Loureiro, de 47 anos, morto a tiro em casa, em Brookline, na segunda-feira. A ligação entre os dois crimes começou a ser investigada na quinta-feira, depois de inicialmente o FBI ter indicado não existir qualquer relação entre os casos.
Cláudio Valente foi aluno da Universidade Brown entre 2000 e 2001, tendo sido admitido num programa de pós-graduação em Física, que acabou por abandonar por razões desconhecidas. A presidente da universidade, Christina Paxson, sublinhou que o suspeito não mantinha qualquer vínculo atual com a instituição.

As autoridades confirmaram ainda que Valente e Nuno Loureiro frequentaram o mesmo programa académico no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, entre 1995 e 2000, o que sustenta a convicção de que se conheciam. Loureiro, natural de Viseu, construiu uma carreira académica de relevo, ingressando no MIT em 2016 e sendo nomeado, no ano passado, diretor do Centro de Ciência de Plasma e Fusão, um dos maiores laboratórios da instituição.
O ataque na Universidade Brown ocorreu numa zona mais antiga do edifício de Engenharia, com pouca ou nenhuma cobertura de videovigilância, o que dificultou a identificação imediata do autor. Os investigadores acreditam que o atirador entrou e saiu por uma porta com acesso a uma rua residencial, escapando às câmaras existentes no campus, apesar de a universidade dispor de cerca de 1.200 dispositivos de vigilância.
Quando foi localizado em Salem, no estado de New Hampshire, Cláudio Valente encontrava-se na posse de uma mochila e duas armas de fogo e vestia a mesma roupa com que tinha sido filmado anteriormente por câmaras de vigilância junto à Universidade Brown e nas imediações da residência de Nuno Loureiro.
Apesar dos avanços na investigação, as autoridades admitem que subsistem “muitas incógnitas” quanto à motivação dos ataques, não sendo ainda claro por que razão foram escolhidos os alvos ou o local do ataque na universidade.


